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15/Aug/2025

Empresas brasileiras investem em lobby nos EUA

As incertezas geradas pelas políticas do presidente norte-americano, Donald Trump, aumentaram o interesse das empresas brasileiras em serviços especializados em lobby nos Estados Unidos. Nomes como a fabricante de armas Taurus, a mineradora Vale e a JBS aparecem neste ano, pela primeira vez, entre os contratantes dos serviços de lobistas formais na lista oficial de registros do Congresso norte-americano. As empresas buscaram defender interesses e obter diretrizes em temas relacionados à produção local. As informações constam de relatórios com declarações de boa-fé das empresas de lobby entregues à Secretaria de Registros Públicos do Senado, e foram compilados pela ONG Open Secrets. Segundo os registros, este ano os gastos com esse tipo de serviço nos Estados Unidos somaram US$ 2,5 bilhões no primeiro semestre, com um total de 12.674 lobistas registrados. Desde o fim dos anos 1990, quando começaram os registros, até agora, empresas brasileiras desembolsaram cerca de US$ 30 milhões (R$ 162 milhões).

O esforço do lobby não conseguiu livrar a Taurus das tarifas impostas pelo governo Trump. A fabricante brasileira de armas contratou o escritório de lobby Ballard Partners no primeiro trimestre. O foco principal era defender os interesses da empresa (advocacy) e obter diretrizes em torno de temas relacionados à produção local. A Taurus afirmou que todas as iniciativas seguem rigorosamente as regras de compliance aprovadas no conselho de administração da empresa e são definidas de acordo com a estratégia da empresa. Na última semana, a Taurus confirmou que vai mudar uma linha de montagem do Brasil para os Estados Unidos, como reflexo das tarifas de 50% impostas pelo governo Trump sobre armas. O mercado norte-americano movimenta mais de US$ 14 bilhões por ano em armas e é a maior fonte de receitas da fabricante brasileira, com 82% das vendas. A Taurus já tem uma unidade de produção por lá, com capacidade para 800 mil armas/ano.

A Vale contratou os serviços da Lilette Advisors, no segundo trimestre, para atuar no gabinete presidencial, no Senado e na Câmara, em temas relacionados a investimentos em escala comercial em beneficiamento de mineração e produção de metais nos Estados Unidos. Os Estados Unidos representam apenas 3% das receitas da empresa, a maior parte enviada do Canadá. No entanto, a Vale foi escolhida pelo governo norte-americano, no ano passado, para desenvolver uma planta de briquetes (mistura de minério de ferro e aglomerantes, utilizada na produção de aço) no estado de Louisiana. A Vale afirmou que tem o apoio de consultorias externas especializadas em temas ligados a assuntos comerciais diversos, incluindo a identificação de potenciais oportunidades em novos projetos. Com metade das receitas oriundas de seus negócios nos Estados Unidos, a JBS vem ampliando os desembolsos com lobby naquele país nos últimos anos.

Em 2025, o valor gasto no primeiro semestre pelo grupo brasileiro com serviços especializados praticamente dobrou em relação ao mesmo período do ano passado: passou de US$ 806 mil para US$ 1,54 milhão. O reforço da JBS neste ano se deu principalmente no tema imigração. Cerca de 40% da mão de obra no agronegócio é composta de trabalhadores de fora do país sem documentação legal, segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). A JBS emprega hoje quase 80 mil pessoas em diferentes áreas de negócios nos Estados Unidos e no Canadá. As informações não incluem outras iniciativas da JBS na frente política. Uma doação de US$ 5 milhões feita pela Pilgrim’s Pride, empresa adquirida pela JBS no país, para a posse do presidente Donald Trump virou alvo de críticas de políticos da oposição. O valor superou contribuições feitas por empresas como Apple e Google. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.