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13/Aug/2025

Inflação: taxa mais branda para julho desde 2023

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechou julho com alta de 0,26%, ante um avanço de 0,24% em junho. A taxa acumulada pela inflação no ano ficou em 3,26%. O resultado acumulado em 12 meses foi de 5,23% até julho, ante taxa de 5,35% até junho. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) teve alta de 0,21% em julho, após uma elevação de 0,23% em junho. Com o resultado, o índice acumulou alta de 3,30% no ano. A taxa em 12 meses mostrou alta de 5,13%, ante taxa de 5,18% até junho. O INPC mede a variação dos preços para as famílias com renda de um a cinco salários-mínimos e chefiadas por assalariados. A alta de 0,26% registrada pelo IPCA em julho foi o resultado mais brando para o mês desde 2023, quando havia subido 0,12%. Em julho de 2024, a taxa tinha sido de 0,38%.

Os preços de Alimentação e bebidas caíram 0,27% em julho, após queda de 0,18% em junho. O grupo deu uma contribuição negativa de 0,06% para o IPCA, que subiu 0,26% no mês. Entre os componentes do grupo, a alimentação no domicílio teve queda de 0,69% em julho, após ter recuado 0,43% no mês anterior. A alimentação fora do domicílio subiu 0,87%, ante alta de 0,46% em junho. Os preços dos alimentos recuaram em julho pelo segundo mês consecutivo, após uma sequência de nove meses de aumentos. A melhora recente tem relação com uma maior oferta de produtos, em meio à ocorrência de safras melhores, sendo ainda prematuro afirmar que haja alguma influência do tarifaço anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra alguns produtos exportados pelo Brasil para o mercado norte-americano. A queda em julho foi puxada pela alimentação no domicílio, que caiu 0,69%. Os destaques foram as reduções na batata-inglesa (-20,27%), cebola (-13,26%) e arroz (-2,89%).

As carnes diminuíram 0,30%, e o café moído recuou 1,01%. O IPCA mostrou leve aceleração na passagem de junho para julho, e a queda nos preços dos alimentos amenizou outras pressões altistas na inflação no último mês. A maioria dos subgrupos de itens alimentícios teve redução de preços em julho. O café, por exemplo, registrou o primeiro recuo após 18 meses seguidos de altas, graças a uma melhora na oferta do produto na lavoura. Pode ser um efeito de maior oferta que já está chegando na prateleira. Sobre o tarifaço, é preciso esperar para entender como o mercado reagirá, se os produtores encontrarão outros mercados consumidores, se preferirão estocar produtos, ou se a oferta doméstica vai de fato aumentar. Frutas não têm como estocar. Entrando no mercado interno teria uma oferta maior, e a tendência é que o preço caia. Quanto à alimentação fora do domicílio, houve uma elevação de 0,87% em julho: o subitem lanche avançou 1,90%, e a refeição fora de casa subiu 0,44%.

Os preços de Transportes subiram 0,35% em julho, após alta de 0,27% em junho. O grupo deu uma contribuição positiva de 0,07% para o IPCA, que subiu 0,26% no mês. Os preços de combustíveis tiveram queda de 0,64% em julho, após recuo de 0,42% no mês anterior. A gasolina caiu 0,51%, após ter registrado queda de 0,34% em junho, enquanto o etanol recuou 1,68% nesta leitura, após queda de 0,61% na última. O aumento de 19,92% no preço da passagem aérea pressionou o custo das famílias com transportes em julho, a despeito da queda nos preços de combustíveis. A passagem aérea respondeu sozinha por uma contribuição de 0,10%, segunda maior pressão individual sobre o IPCA de julho, atrás apenas do encarecimento da energia elétrica (0,12%). No período de férias acaba tendo uma demanda maior, os preços ficam mais altos, e a variação da passagem aérea reflete isso. O táxi aumentou 0,21%.

Os gastos das famílias brasileiras com Habitação passaram de uma elevação de 0,99% em junho para uma alta de 0,91% em julho. O resultado levou a uma contribuição de 0,14% para a taxa de 0,26% registrada pelo IPCA do último mês. A energia elétrica residencial aumentou 3,04%, subitem de maior pressão individual no IPCA do mês, uma contribuição de 0,12%. Cabe destacar que, em julho, permanecia vigente a bandeira tarifária vermelha patamar 1, adicionando R$ 4,46 na conta de luz a cada 100 KWh consumidos. A energia elétrica sofrerá impactos distintos no mês de agosto, com a pressão da entrada em vigor da bandeira tarifária vermelha patamar 2, mas também o alívio proveniente do bônus de Itaipu nas contas de luz. A energia elétrica residencial acumula uma alta de 10,18% no ano, item de maior pressão individual para a inflação do período, uma contribuição de 0,39% para a taxa de 3,26% registrada pelo IPCA. Esta variação (10,18%) é a maior para o período janeiro a julho desde 2018 quando o acumulado foi de 13,78%. A taxa de água e esgoto subiu 0,13% em julho.

O grupo Saúde e cuidados pessoais saiu de um avanço de 0,07% em junho para uma alta de 0,45% em julho. O grupo contribuiu com 0,06% para a taxa de 0,26% do IPCA do último mês. O resultado foi sustentado pelos aumentos nos itens de higiene pessoal (0,98%) e no plano de saúde (0,35%). O grupo Despesas pessoais saiu de uma alta de 0,23% em junho para um aumento de 0,76% em julho. O grupo contribuiu com 0,08% para a taxa de 0,26% do IPCA do último mês. O avanço foi impulsionado pelo reajuste, a partir de 9 de julho, nos jogos de azar, que aumentaram 11,17%, uma contribuição de 0,05% para o IPCA de julho. O grupo Vestuário saiu de uma alta de 0,75% em junho para um recuo de 0,54% em julho. O grupo contribuiu com -0,03% para a taxa de 0,26% do IPCA do último mês. As maiores contribuições negativas partiram das quedas na roupa feminina (-0,98%) e na roupa masculina (-0,87%).

Três dos nove grupos que integram o IPCA registraram quedas de preços em julho. Houve recuos em Alimentação e bebidas, de 0,27% e impacto de -0,06%; Vestuário, -0,54% e impacto de -0,03%; e Comunicação, -0,09% e impacto de 0,00%. Na direção oposta, os preços subiram em Transportes (alta de 0,35%, impacto de 0,07%), Artigos de residência (0,09%, impacto de 0,00%), Habitação (0,91%, uma contribuição de 0,14%), Despesas pessoais (0,76%, impacto de 0,08%), Saúde e cuidados pessoais (0,45%, impacto de 0,06%) e Educação (0,02%, impacto de 0,00%). Em julho, 5 das 16 regiões investigadas pelo IBGE registraram quedas de preços.

O resultado mais brando foi verificado em Campo Grande (MS), deflação de 0,19%, enquanto o mais elevado ocorreu em São Paulo (SP), com alta de 0,46%. A queda de 20,27% no preço da batata-inglesa exerceu a maior contribuição negativa individual sobre a inflação de julho, um impacto de -0,04% para a taxa de 0,26% registrada no mês. Figuraram ainda no ranking de principais alívios sobre o IPCA de julho a gasolina (-0,03%), cebola (-0,02%), arroz (-0,02%) e automóvel novo (-0,02%). Na direção oposta, a principal pressão partiu da energia elétrica residencial, com alta de 3,04% e influência de 0,12%. Houve contribuições positivas também da passagem aérea (0,10%), jogos de azar (0,05%), lanche fora de casa (0,04%), conserto de automóvel (0,02%) e refeição fora de casa (0,02%).

Segundo a Banco Inter, a leitura do IPCA de julho foi uma surpresa positiva, devido à deflação maior de alimentos e vestuário, além da alta menos intensa de itens do grupo de Habitação. Destaque para a desaceleração do núcleo da inflação pelo sexto mês consecutivo na margem, a 0,27% em julho, menor valor desde setembro de 2024. Adicionalmente, no acumulado em 12 meses, o núcleo passou para 5,07%, o menor valor desde março de 2025. Contudo, a inflação de serviços acelerou (0,59%), sendo a maior alta desde março de 2025. Entretanto, o resultado foi amplamente influenciado pelo comportamento das passagens aéreas. Excluindo esse item, a inflação de serviços teria sido de 0,31%. A expectativa é de deflação do IPCA em agosto, influenciado pelo bônus de Itaipu, o que deve contribuir para manter a atual tendência de desaceleração do índice. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.