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12/Aug/2025

Tarifa dos EUA: impacto mais forte no curto prazo

Segundo a Moody's, o impacto mais forte das tarifas dos Estados Unidos ao Brasil ocorrerá no curto prazo. Ainda que a China seja de longe o principal parceiro comercial do Brasil, a segunda posição é ocupada pelos Estados Unidos, que respondem por 12% da receita brasileira com exportações. Os laços desgastados entre os Estados Unidos e a China vão trabalhar a favor do Brasil no médio prazo, com o aumento das compras chinesas de soja, milho e carne brasileiros diminuindo o efeito das tarifas com o tempo. Embora a relação comercial com os Estados Unidos tenha sido complementar em dado momento, com o Brasil trocando commodities por bens manufaturados, fora do setor aeroespacial as duas economias parecem mais com rivais no palco mundial, como concorrentes na exportação de petróleo e produtos agrícolas. A Moody's descarta um acordo comercial entre o Brasil e os Estados Unidos no curto prazo.

Em vez disso, presume que a tarifa efetiva cairá ao longo do próximo ano conforme Trump isentar mais produtos agrícolas de tarifas e os exportadores brasileiros desviarem mais exportações agrícolas e de petróleo para a China, a Europa, o Oriente Médio e outros lugares na Ásia. A perspectiva é de que a tarifa efetiva dos Estados Unidos ao Brasil diminua com o passar do tempo, mas sem retornar aos níveis anteriores a janeiro. Além do julgamento de Bolsonaro e das barreiras à operação de empresas dos Estados Unidos no Brasil, há preocupações com o papel de liderança do Brasil no Brics, em particular o apoio do presidente Lula ao uso do Real e de outras moedas do bloco no comércio global e como moedas de reserva. As tarifas de importação aplicadas pelos Estados Unidos, da forma como estão, subtrairiam 0,5% da variação do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil ao longo de um ano.

Porém, mais isenções à sobretaxa podem estar a caminho, e esse impacto pode diminuir para 0,2%. No momento, a tarifa de importação efetiva aplicada pelos Estados Unidos ao Brasil é de 29,4%, e 15,8% estão relacionados à sobretaxa de 40% anunciada pelo governo norte-americano em julho. O restante reflete a tarifa recíproca anunciada em abril e tarifas setoriais ao aço e alumínio (3,7%), cobre (0,3%) e automóveis e peças (0,7%). De acordo com o nosso modelo macroeconômico global da Moody’s, que leva em conta a dependência estruturalmente baixa do Brasil em relação a exportações, cada aumento de 1% na tarifa efetiva dos Estados Unidos subtrai 3 pontos-base do crescimento do PIB nos 12 meses seguintes. No entanto, a expectativa é de que a administração Trump amplie as isenções, em particular para bens de consumo, como o café, em que o Brasil responde por quase um terço das importações dos Estados Unidos, o efeito último sobre o PIB será mais perto de 0,2%, o que resultaria num crescimento de 1,7% na economia brasileira nos próximos 12 meses. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.