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12/Aug/2025

Mercado de capitais e os investimentos no Agro

Segundo a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), os investimentos em agronegócio via mercado de capitais têm potencial para crescer de três a cinco vezes os patamares atuais. O estoque de Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) superou R$ 140 bilhões e os Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais (Fiagros) ultrapassaram R$ 40 bilhões, mas esses números têm espaço para serem 3, 4, 5 vezes maiores. 2025 marcou um divisor de águas, com o mercado de capitais superando pela primeira vez o crédito bancário tradicional no financiamento geral da economia. Foi a primeira vez que o crédito via mercado de capitais global superou o crédito bancário. Os instrumentos e a infraestrutura estão maduros para sustentar essa expansão no agronegócio. O agronegócio seguiu trajetória semelhante à do setor imobiliário, que primeiro desenvolveu instrumentos específicos devido às suas particularidades.

O Brasil entendeu que o setor imobiliário precisava de particularidades do ponto de vista legal, regulatório e de instrumentos de mercado de capitais. Depois disso, veio o agro. O avanço começou com os CRAs e evoluiu para uma “sopa de letrinhas” que inclui CPRs e CDCAs, atraindo o interesse de investidores individuais. A evolução foi lenta por causa do desconhecimento sobre a dinâmica agrícola. Se o investidor desconhece o mercado de capitais, imagina quando vai falar do mercado de capitais do agro, pressupondo que ele entenda a dinâmica depois da porteira. A chegada dos Fiagros representou um ponto de inflexão, pela presença de gestores especializados capazes de estruturar, gerir e monitorar operações, além de lidar com crises. Sem dúvida o mercado de CRA cresceu e se desenvolveu muito depois da chegada dos Fiagros. Dois fatores foram essenciais para acelerar o crescimento: padronização de dados e educação bilateral.

Há uma educação de mão dupla a ser feita: educação dos investidores sobre o campo e educação do campo sobre mercado de capitais. Os produtores historicamente dependentes de linhas tradicionais precisam entender novos conceitos como securitizadores e gestores. A Anbima vem produzindo conteúdo para mostrar aos investidores que existe “seriedade e governança” no agro e, ao mesmo tempo, apresentar aos produtores o mercado de capitais como alternativa bastante competitiva para complementar o crédito bancário. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) afirmou que, mesmo com o avanço recente de instrumentos como o Fundo de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais (Fiagro), a presença do agronegócio no mercado de capitais brasileiro ainda é limitada. O agro representa 25% do PIB, mas apenas 3,5% do mercado de capitais. O Fiagro, criado por lei em 2021 e regulamentado de forma definitiva neste ano, já soma mais de cem fundos, patrimônio líquido de R$ 44 bilhões e aproximadamente 600 mil investidores pessoas físicas.

O marco legislativo essencial já está implementado e o desafio agora é levar conhecimento sobre esses instrumentos a produtores e empresas do setor, acostumados a se financiar no sistema bancário tradicional. Entre as discussões internas da CVM, está a possibilidade de permitir que produtores rurais pessoas físicas com estrutura de governança e gestão adequadas emitam valores mobiliários diretamente, dentro de limites e exigências semelhantes aos aplicados a companhias emissoras. Outra frente em análise é facilitar que cooperativas agropecuárias façam emissões, funcionando como ponte para que pequenos e médios produtores acessem recursos via mercado de capitais. A CVM tem, além do mandato de supervisionar e proteger investidores, o papel de desenvolver o mercado e estimular a poupança popular. Os grandes produtores vão conseguir acessar o mercado de capitais, mas para os pequenos e médios, a ponte tem que ser a cooperativa.

Segundo a Kijani Investimentos, o mercado de capitais tende a se consolidar como alternativa estrutural ao financiamento público do agronegócio brasileiro, historicamente apoiado em linhas governamentais. O setor privado já responde por cerca de 70% do crédito ao agro, invertendo o quadro de 15 anos atrás, quando mais de 50% vinham de recursos públicos. O mercado de capitais é um instrumento válido, de longo prazo, que permite que o capital gerado no Brasil seja aplicado aqui mesmo e potencialize as vantagens competitivas do agronegócio. No início dos anos 2000, a interlocução entre agro e mercado de capitais era limitada e restrita a poucas companhias de maior porte, especialmente no segmento sucroenergético. Com o tempo, a aproximação avançou para empresas médias, cooperativas e produtores, ampliando o acesso a instrumentos privados.

O movimento ganhou velocidade nos últimos quatro anos com a criação dos Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais (Fiagro), que permitiram a gestores especializados fazer a ponte entre investidores e emissores sem porte para captações diretas. Em 2022 e 2023, teve volume recorde de emissões e alocação de recursos via mercado de capitais, muito por meio de gestores de Fiagro que estruturaram operações inéditas. 2024 foi uma “freada de arrumação”, quando o ciclo menos favorável do agro coincidiu com a aceleração das captações. Foi o primeiro ano em que o ciclo do agronegócio pegou esse movimento de aceleração de mercados de capitais. Ainda assim, a avaliação é de retomada. Às vezes, no processo de amadurecimento, existem as dores do crescimento e da estabilização. Mas, em 2025 a jornada é positiva de aceleração novamente. Destaque para o protagonismo regulatório e legislativo do País na criação de instrumentos para o setor. O arcabouço atual ajuda a evidenciar o diferencial competitivo do agro brasileiro junto aos investidores. Investidores e emissores devem seguir amadurecendo para expandir o acesso ao mercado de capitais em toda a cadeia. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.