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12/Aug/2025

Paradoxo da formação de preços no Agro brasileiro

A B3 chamou atenção para um paradoxo do agronegócio brasileiro: o País é o maior produtor mundial de diversas commodities, como soja, açúcar e café, mas a formação dos preços desses produtos ainda ocorre no exterior. É preciso que haja ajustes nos contratos para que a precificação ocorra no Brasil, o que agregaria valor ao setor. Hoje, o Brasil é o maior produtor agrícola em várias commodities, mas esses ativos são precificados fora do País. Produtores vendem soja, açúcar e café usando referências externas. Onde o ativo é precificado é algo muito importante, que agrega valor para a economia e para o agronegócio. A B3 já tem robustez e confiabilidade internacional e não se trata de falta de infraestrutura, mas de calibrar instrumentos existentes. É preciso identificar quais ajustes fazer nos contratos já disponíveis para que o mercado agrícola brasileiro traga a precificação para o mercado local.

Há casos em que parte significativa da produção nacional já é precificada internamente, como o boi gordo e o café, e o avanço depende de integrar as cadeias logísticas à formação de preços. A bolsa está disposta a trabalhar para desenvolver essa infraestrutura, e essa conversa passa por entrega física. É um tema para reguladores, associações, investidores e produtores. Também foi apontada a evolução do mercado secundário de Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs). Depois que a operação é emitida, se vê cada vez mais negociação desses papéis, o que traz valor ao setor. Esse mercado traz duas vantagens: criar referências de preço para novas emissões e dar segurança para investimentos de prazo mais longo, já que os papéis podem ser negociados antes do vencimento. A intenção na B3 é oferecer instrumentos e ferramentas que permitam ao mercado de capitais ampliar seu papel no financiamento do agro.

A B3 também defende a necessidade de reformas estruturais e responsabilidade fiscal para garantir um ambiente de negócios sólido e previsível ao agronegócio brasileiro. Foi destacado o papel da bolsa como "ponte que conecta o agronegócio" ao mercado de capitais global. Foram apresentados números expressivos dos instrumentos de financiamento ao setor. O Fiagro já soma quase 550 mil investidores pessoas físicas, com patrimônio líquido superior a R$ 10,5 bilhões e volume de negociação de mais de R$ 15 bilhões. As Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs) ultrapassaram R$ 588 bilhões em captação, envolvendo 2,2 milhões de investidores, enquanto os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) atingiram R$ 160 bilhões em estoque. Esses números, em 2017 ou 2018, eram algumas dezenas de milhões. Na gestão de riscos, os contratos futuros de commodities como boi gordo, milho, soja, etanol e café são ferramentas importantes e essenciais para proteger o produtor da volatilidade de preço.

O contrato de milho segue como o mais negociado na cadeia de commodities, repetindo o apetite e o crescente mercado que o milho vem ganhando. Foi ressaltado o novo regime de listagem da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que simplifica o acesso ao mercado de capitais para empresas com receita bruta abaixo de R$ 500 milhões. É uma oportunidade concreta de atrair empresas de crescimento acelerado e ampliar a base de investidores na cadeia do agronegócio. No tema sustentabilidade, a B3 está posicionada como principal aliada para financiar a transição para um agro cada vez mais vinculado à agenda ESG. Produtos como CPR Verde, CEPI e crédito de carbono demonstram que finanças verdes e mercado de capitais podem caminhar juntos e acelerar a transformação positiva do agro. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.