12/Aug/2025
A ex-ministra do Meio Ambiente e co-presidente do Painel Internacional de Recursos Naturais da ONU, Izabella Teixeira, defendeu nesta segunda-feira (11/08) que o Brasil tem condições de liderar a transição para a economia verde, mas alertou que isso depende de uma estratégia clara, que una produção agropecuária, proteção ambiental e infraestrutura. Ao receber o Prêmio Norman Borlaug de Sustentabilidade no 24º Congresso Brasileiro do Agronegócio, ela afirmou que o País deve aproveitar a COP30 para melhorar sua imagem internacional e influenciar a formulação de regras globais. O Brasil é um país que precisa combinar o jogo e ouvir melhor.
Não existe solução no mundo da eletrificação, da descarbonização do mundo sem esses recursos naturais, materiais e minerais do Brasil. O potencial brasileiro em alimentos, energia e minerais críticos deve ser convertido em protagonismo, mas alertou: "Ninguém se autodeclara liderança; ela precisa ser reconhecida internacionalmente". A ex-ministra defendeu que o Brasil construa uma narrativa que apresente o País como "agricultura tropical, inovadora, contemporânea, mais rápida, que gera emprego, gera inovação, gera tecnologia" para se inserir melhor no cenário global. Está na hora de parar de falar mal do Brasil. Não há país no mundo que fale mal do seu país, afirmou, criticando discursos negativos sobre o País.
Ela alertou para a polarização no debate climático e disse que existe hoje o negacionismo da agricultura em Brasília, além de apontar a existência de um "cinismo climático no mundo". Segundo ela, ambos os fenômenos dificultam a construção de soluções. A ciência é o ator estratégico para prover soluções. É preciso distribuir as soluções, não distribuir o negacionismo. A homenageada criticou duramente a falta de planejamento logístico no País, considerando-a um entrave para a competitividade do agronegócio. O Brasil precisa discutir os modais de transporte e tomar decisões, por exemplo, de duplicar rodovias. As decisões sobre infraestrutura são tomadas sem visão estratégica integrada.
O Brasil precisa de uma nova relação entre os poderes e a sociedade para enfrentar os desafios da agenda climática. "Não briguem com a gente da área ambiental, nós somos muito mais provedores de soluções do que vocês podem imaginar", disse, dirigindo-se diretamente ao público do agronegócio presente no evento. A ex-ministra destacou que o País tem vantagens competitivas únicas, especialmente por ter paz em um mundo de conflitos, citando o exemplo da guerra na Ucrânia e seus impactos ambientais e agrícolas. O Brasil não vai viver 100 guerras em 100 anos. A estabilidade é um diferencial estratégico.
Ela defendeu que a agricultura brasileira seja apresentada como "inclusiva, sustentável, de baixo carbono" e disse que o setor deve se engajar no debate climático, não pela perspectiva de achar que o País é atrapalhado pela democracia, mas pela capacidade de prover soluções. Ela alertou que o mundo está migrando para "a era da indignação" e que o Brasil precisa se posicionar estrategicamente nessa transição. O País deve abandonar posturas extremas e adotar pragmatismo e racionalidade para distribuir soluções. A ex-ministra concluiu afirmando que a construção desse novo Brasil passa pela agricultura inclusiva, sustentável, de baixo carbono e que é necessário ter ousadia para discutir o presente em vez de ficar "rejeitando o passado". Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.