11/Aug/2025
O segundo leilão do EcoInvest Brasil, voltado à recuperação de terras degradadas, teve demanda de R$ 17,3 bilhões, informaram os Ministérios da Fazenda, da Agricultura e do Meio Ambiente, em nota conjunta. Ao todo, 11 instituições financeiras participaram do leilão. Esses recursos podem destravar R$ 31,4 bilhões em investimentos totais para a recuperação de áreas degradadas em todo o território nacional, o que deve viabilizar a restauração de 1,4 milhão de hectares. Do total demandado, R$ 16,5 bilhões foram contemplados por meio da linha pública de capital catalítico, resultando em R$ 30,2 bilhões. Os recursos serão desembolsados ao longo de 2025, 2026 e 2027. A resposta do setor financeiro foi muito positiva. O governo está estruturando instrumentos financeiros inteligentes que aumentam a produtividade e competitividade do Brasil, recuperando áreas degradadas, fortalecendo a segurança alimentar e posicionando o País na vanguarda da economia verde global, tudo isso alinhado a uma estratégia de maior integração do Brasil com o mundo, afirmou o ministro da Fazenda, Fernando Haddad.
O Eco Invest integra o Plano de Transformação Ecológica, o Programa Caminho Verde Brasil, iniciativa do Ministério da Agricultura para recuperação de pastagens degradadas, e o Plano Nacional de Recuperação de Vegetação Nativa (Planaveg), coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima. Este 2º leilão, com foco na recuperação de áreas degradadas, será fundamental para a promoção de ações de restauração florestal e desestímulo ao avanço da fronteira agropecuária, disse a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva. O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, ressaltou que o leilão dará um salto de escala para a agricultura regenerativa no Brasil. Com o apoio do crédito estruturado, os produtores terão mais segurança para investir em tecnologias que restauram o solo, ampliam a produtividade no campo e a oferta sustentável de alimentos. O leilão contou com o apoio técnico do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) na estruturação das linhas de crédito climático do programa e da Embaixada do Reino Unido no Brasil na promoção de soluções financeiras que combinem a atração de capital privado com impacto socioambiental positivo.
Com este leilão, a estimativa é a recuperação de uma área equivalente a quase três vezes o tamanho do Distrito Federal e geração de mais de 170 mil empregos, afirmou o presidente do BID, Ilan Goldfajn. O Itaú BBA foi o principal banco em hectares financiados no segundo leilão do EcoInvest. Ao todo, foram financiados mais de 300 mil hectares, o equivalente a cerca de 20% do total da área contemplada, de 1,4 milhão de hectares. Isso mostra que a demanda foi bastante relevante, especialmente considerando que o total contemplado superou 300 mil hectares. Entre os dez bancos contemplados, o Itaú teve papel de liderança na área financiada.
O leilão também surpreendeu pela alta participação e volume financeiro. No primeiro leilão, foram seis bancos; agora, onze bancos participaram e dez foram contemplados. Era esperado menos por conta da complexidade das exigências socioambientais, mas foi muito positivo esse engajamento. Além da área significativa, o volume de recursos superou as expectativas. Era esperado cerca de US$ 1 bilhão em recursos equalizados pelo Tesouro, e o volume veio consideravelmente maior, o que mostra o compromisso com a agenda verde no agro. O programa prioriza propostas com maior alavancagem para ampliar o impacto dos recursos públicos.
Novas rodadas de captação do programa estão sendo preparadas, voltadas à atração de equity e ao financiamento de projetos na Amazônia Legal. A previsão é que ocorram ainda neste semestre. O governo lançou o leilão, o primeiro voltado para recuperação de terras degradadas, no fim de abril. O pregão teve de alavancar recursos internacionais para recuperar áreas dos biomas Mata Atlântica, Cerrado, Caatinga, Pampa e Pantanal. A captação de recursos internacionais via Eco Invest foi a saída encontrada pelo governo para a internalização dos recursos externos para recuperação e conversão de áreas, minimizando as variações cambiais. O Eco Invest Brasil é o programa de hedge cambial da Secretaria do Tesouro Nacional para atrair investimentos externos voltados à transformação ecológica.
O leilão será realizado no modelo de financiamento parcial (blended finance), no qual os recursos públicos do Eco Invest atuam como capital catalisador para atrair investimentos privados. Cada lance teve um valor mínimo exigido de R$ 100 milhões por instituição financeira. A disputa terá a parceria também do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). O foco do leilão, segundo o governo, é atrair capital privado por meio de instituições financeiras locais, para financiar projetos que promovam a conversão de terras degradadas em sistemas produtivos sustentáveis. Para serem aptos a financiamentos via recursos captados pelo leilão, os projetos deverão seguir critérios ambientais específicos como a recuperação do solo, preservação ambiental, monitoramento contínuo do impacto ambiental, incluindo a medição das emissões de gases de efeito estufa, análise periódica do índice de qualidade do solo e ampliação da cobertura vegetal permanente.
O Tesouro Nacional avaliou que o segundo leilão do EcoInvest Brasil superou a meta traçada de tornar viável a recuperação de 1 milhão de hectares de terras degradadas. A expectativa é alcançar 1,4 milhão de hectares recuperados. Sobre a distribuição dos recursos, todos os biomas foram contemplados, com destaque para o Cerrado, que recebeu a maior parte dos investimentos. O bioma amazônico teve mais de 10% de alocação, foi cumprida a meta de 10% para a Caatinga e foi contemplada a Mata Atlântica. Foi elogiada a participação do setor privado. O Itaú foi a instituição com maior compromisso em termos de área a ser recuperada. O reflorestamento recebeu cerca de 12% dos recursos, com foco em práticas sustentáveis.
A ideia é recuperar áreas, devolver-lhes produtividade, gerar mais empregos e exportações, mas principalmente fazer isso sem degradar o meio ambiente e, preferencialmente, recuperando a cobertura vegetal, que é tão relevante para a sustentabilidade do agronegócio. O Tesouro Nacional deve lançar, até o fim do mês, o terceiro leilão do EcoInvest Brasil, com foco em atrair investimento estrangeiro direto e financiar projetos inovadores de baixo carbono. O novo edital será “mais provocativo” e voltado a estimular fundos de participação, como os FIPs, com mecanismos para reduzir riscos e aumentar o apetite de investidores externos. A ideia é formar uma agenda mais ampla, olhando para novos negócios e para a fronteira de inovação na transformação ecológica.
O modelo prevê instrumentos para proteger o capital da volatilidade cambial e a criação de um mecanismo de “primeira perda” para ampliar a participação de instituições financeiras e de fundos estrangeiros em projetos mais arrojados. A iniciativa se soma aos dois primeiros leilões do programa. O primeiro teve “regras mais leves”, exigindo maior captação externa via dívida. O segundo avançou ao estimular a criação de fundos exclusivos para gestão de carteira degradada, dando mais perenidade ao movimento. Além do terceiro leilão, o Tesouro deve lançar, até o fim do ano, um edital específico para o bioma amazônico, com foco na bioeconomia e em produtos baseados na natureza. Essas duas novidades fecham o exercício de 2025 e dão uma cara para o programa como um todo. Após essa fase, a prioridade será garantir a execução, a prestação de contas e a avaliação dos resultados. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.