11/Aug/2025
Em meio ao tarifaço promovido pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e ao decreto de prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o Brasil tornou-se pivô de um embate entre as Embaixadas dos Estados Unidos e da China nas redes sociais. Enquanto a embaixada norte-americana no Brasil critica a conduta do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), os chineses elogiam os produtos nacionais e afirmam que a nação da Ásia está aberta às exportações do Brasil. No dia 7 de agosto, a Embaixada dos Estados Unidos afirmou que há censura, perseguição política e violações de direitos humanos no Brasil, das quais Moraes seria o “principal arquiteto”. O órgão de representação afirmou estar ”monitorando a situação de perto” e fez uma ameaça aos que se aliarem ao magistrado. “Os aliados de Moraes no Judiciário e em outras esferas estão avisados para não apoiar nem facilitar a conduta de Moraes”, disseram os norte-americanos em publicação no X.
O Itamaraty pretende convocar Gabriel Escobar, chefe da embaixada, para prestar esclarecimentos sobre a publicação. Por outro lado, o perfil da Embaixada da China no X fez publicações elogiosas aos produtos brasileiros. Em publicação no dia 6 de agosto, o órgão afirmou que o açaí “conquistou paladares” chineses. “A superfruta amazônica ganha espaço nas lojas de bebidas, atraindo consumidores chineses pelo sabor único e benefícios à saúde”, escreveu a embaixada. O açaí não foi o único produto do Brasil saudado por publicações da Embaixada da China. Em 2 de agosto, o perfil destacou a abertura do mercado chinês para o café e o gergelim brasileiros. Ambos os produtos passaram a ter tarifas adicionais nos Estados Unidos desde o dia 6 de agosto. O café nacional também foi destaque de uma publicação no dia 5 de agosto, quando a embaixada chinesa se referiu ao produto como “queridíssimo café brasileiro”.
As publicações da Embaixada dos Estados Unidos vão ao encontro das investidas do governo Trump contra Moraes e outros ministros do STF. Enquanto Moraes foi sancionado pela Lei Magnitsky, uma medida criada para restringir direitos de violadores graves dos direitos humanos, outros sete ministros da Corte tiveram vistos suspensos pelo governo norte-americano. O Departamento de Estado dos Estados Unidos, órgão equivalente ao Ministério das Relações Exteriores do Brasil, também tem elevado o tom contra Alexandre de Moraes. O chefe do órgão, o secretário Marco Rubio, repercutiu a imposição da Lei Magnitsky contra Moraes afirmando que “togas não podem proteger” violadores de direitos humanos. “Que isso sirva de aviso para aqueles que pisoteiam os direitos fundamentais de seus compatriotas, as togas judiciais não podem protegê-los”, disse Rubio em 30 de julho. A publicação do secretário foi replicada pelo perfil da Embaixada dos Estados Unidos. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.