08/Aug/2025
O tarifaço imposto pelos Estados Unidos já leva empresas a anunciar férias coletivas no Brasil, numa tentativa de ajustar sua produção. É o caso das indústrias de móveis de São Bento do Sul, no norte de Santa Catarina, o principal polo exportador do setor no País, e de fabricantes de calçados que dependem do mercado norte-americano. No ano passado, as empresas de São Bento do Sul exportaram US$ 123,4 milhões, 62% dos quais para os Estados Unidos. O Sindicato das Indústrias da Construção e do Mobiliário de São Bento do Sul (Sindusmobil), que reúne 398 fabricantes na região, conta que os importadores pediram para segurar os embarques desde que o tarifaço de 50% foi sinalizado pelo presidente norte-americano, Donald Trump, em 9 de julho.
Quinze indústrias já decidiram dar férias coletivas de duas semanas a cerca de 3 mil funcionários. As empresas da região que, além dos Estados Unidos, produzem para outros mercados, empregam 7 mil pessoas. Na prática, a paralisação contempla linhas de produção voltadas para o mercado norte-americano. Até o momento, o não houve demissões. Mas, se esse quadro for mantido e os clientes norte-americanos não autorizarem os embarques ou não colocarem novos pedidos, deverá ter um ajuste nos quadros. O expediente de férias coletivas também foi a saída encontrada por fabricantes de calçados brasileiros que exportam para os Estados Unidos.
O país é o principal destino das vendas brasileiras ao exterior, e quase 80% das exportadoras consultadas pela Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) relataram impactos em decorrência da tarifa adicional de 50%. A Calçados Killana, de Três Coroas (RS), é uma das que decidiram deixar seus funcionários em casa. “Com a tarifa extra, o cenário é de “terra arrasada” do ponto de vista de geração de negócios. Os clientes norte-americanos vão querer tirar a diferença no preço, e a empresa não tem margem para conseguir manter as exportações. Cerca de 70% da produção da Killana é destinada ao exterior, sendo que metade dos embarques no primeiro semestre foi feita para os Estados Unidos. A empresa investiu por anos para avançar naquele país e começou a ganhar clientes logo depois da pandemia. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.