08/Aug/2025
Entrou em vigor na quarta-feira (06/07), a tarifa de 50% dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Apesar da exclusão de cerca de 700 itens, como petróleo, celulose, aviação e mineração, o BB-BI ainda vê impacto relevante em agroindústria, siderurgia e bens industriais. Os setores de alimentos e bebidas, sucroenergético e siderúrgico concentram os maiores riscos. Produtos como etanol, açúcar, carnes, café, ferro e aço ficaram de fora das exceções, o que amplia a pressão sobre empresas com forte exposição ao mercado norte-americano. No setor sucroalcooleiro, a Jalles Machado, maior exportadora de açúcar orgânico do País, é apontada como uma das mais afetadas. O redirecionamento de exportações para outros mercados é possível, mas não ocorrerá de forma imediata. Entre os frigoríficos, a Marfrig suspendeu a produção de uma unidade no Mato Grosso voltada aos Estados Unidos já em julho. Ainda assim, o Brasil segue competitivo no mercado global de carne bovina, com custo em dólar inferior ao de outros países exportadores e reconhecimento sanitário internacional.
No setor de siderurgia, a CSN é apontada como a mais exposta ao impacto tarifário, com 25% das vendas externas direcionadas aos Estados Unidos. Usiminas tem baixa exposição e a Gerdau deve mitigar efeitos com produção local nas fábricas norte-americanas. O excesso de capacidade global e a concorrência com o aço chinês seguem como fatores de pressão. Entre as indústrias de bens de capital, a Weg continua sujeita à sobretaxa de 40%, com exposição líquida de 10% a 15% da receita. A companhia pode suavizar o impacto com produção no México e nos Estados Unidos, além de se beneficiar de eventual valorização do dólar. Por outro lado, setores como petróleo, mineração, papel e celulose foram parcialmente blindados. O petróleo foi incluído na lista de isenções, o que reduz os riscos para Petrobras e outras exportadoras. A celulose, que representa 15% dos embarques do setor para os Estados Unidos, também ficou fora da sobretaxa adicional, favorecendo principalmente a Suzano.
Klabin, por sua vez, tem alta diversificação de negócios e baixa exposição aos Estados Unidos, o que também ajuda a companhia. Na aviação, os itens relacionados ao setor foram excluídos da tarifa de 40%. Para a Embraer, isso significa um impacto direto limitado na aviação executiva, estimado entre US$ 60 milhões e US$ 80 milhões anuais. A empresa reiterou suas projeções para 2025 e afirmou que negocia com o governo norte-americano para eliminar ou mitigar a tarifa, inclusive com a possibilidade de investimento nos Estados Unidos. O BB-BI segue com recomendações de compra para papéis como Jalles Machado, Minerva, Marfrig, Suzano, Gerdau e Embraer. Weg, apesar da exposição, tem recomendação neutra, com destaque para a diversificação geográfica e a demanda sólida por seus produtos. São neutras também Usiminas, CSN, Klabin e Petrobras. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.