07/Aug/2025
O dólar caiu ante o Real pela quarta sessão consecutiva nesta quarta-feira (06/08), na esteira dos ganhos de outras moedas emergentes, conforme a expectativa por cortes na taxa de juros pelo Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) e a forte alta da B3 impulsionaram a moeda brasileira. O mercado doméstico também seguiu monitorando novidades no embate comercial entre Brasil e Estados Unidos, depois da entrada em vigor nesta quarta-feira (06/08) da tarifa de 50% do presidente norte-americano Donald Trump sobre produtos brasileiros. O dólar fechou em baixa de 0,78%, a R$ 5,46. Desde o fechamento do dia 30 de julho, a moeda acumula queda de 2,5%. Os movimentos do Real neste pregão foram amplamente influenciados pelo cenário externo, onde o dólar também recuou frente a moedas de outros países emergentes, como o peso mexicano, o rand sul-africano e o peso colombiano.
No foco dos mercados globais continua a crescente expectativa por cortes de juros pelo Fed a partir de setembro, depois de um relatório de emprego fraco para julho e da renúncia antecipada da diretora Adriana Kugler. Nesta quarta-feira (06/08), mais uma autoridade se mostrou aberta à possibilidade de cortes de juros no curto prazo. O presidente do Fed de Minneapolis, Neel Kashkari, previu que o banco terá que responder a desaceleração da economia norte-americana, defendendo duas reduções de juros neste ano como "razoáveis". Com isso, operadores levaram a probabilidade de um corte de 0,25% nos juros em setembro a 96%. Na semana passada, a chance era inferior a 50%. O índice do dólar, que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas, caía 0,49%, a 98,252. O cenário doméstico, por sua vez, também esteve favorável ao Real devido aos fortes ganhos registrados na bolsa brasileira, à medida que os investidores avaliaram uma nova bateria de balanços corporativos.
Índice de referência do mercado, o Ibovespa avançou 1,12%, a 134.637,97 pontos. O avanço das ações brasileiras permite a atração de um maior fluxo de capital estrangeiro para o país, o que, por consequência, pressiona a divisa norte-americana ante o Real. Segundo o Banco Pine, o mercado local permanece bastante atrativo para o investidor estrangeiro, seja por conta da confortável posição das contas externas, pela expectativa de maior crescimento do PIB e pela atratividade do carry trade. Na mínima da sessão, o dólar atingiu R$ 5,45 (-0,84%). Na máxima, a moeda foi a R$ 5,51 (+0,1%). Apesar dos fatores positivos para a moeda brasileira, o mercado doméstico ainda segue dependente em grande parte de novidades concretas na busca do governo do Brasil por negociar com os Estados Unidos a tarifa punitiva de Trump.
De modo geral, os investidores desejam saber se haverá mais isenções para produtos brasileiros e qual será o plano de contingência do governo para ajudar empresas e setores mais afetados pela taxa dos Estados Unidos. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixou claro que não vê espaço para negociações diretas com Trump, acrescentando que o Brasil não pretende anunciar tarifas recíprocas. O Brasil apresentou pedido de consultas aos Estados Unidos na Organização Mundial do Comércio (OMC) por causa da imposição da tarifa de 50%, informou o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). O Banco Central vendeu 35.000 contratos de swap cambial tradicional para fins de rolagem do vencimento de 1º de setembro de 2025. Fonte: Reuters. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.