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07/Aug/2025

Tarifa dos EUA: impacto no crescimento econômico

A partir desta quarta-feira (06/08), os produtos brasileiros embarcados para os Estados Unidos ficaram mais caros. Entrou em vigor à 0h01, horário de Washington (ou 1h01, horário de Brasília), a tarifa de 50% sobre as exportações do Brasil. A exceção são os 694 itens que constam de uma lista publicada na semana passada pelo governo norte-americano, que continuarão pagando uma taxa de 10% que já estava em vigor. O Brasil não estará sozinho por muito tempo nessas tarifas elevadas. Nesta quinta-feira (07/08), sobem as taxas dos produtos de mais algumas dezenas de países que exportam para os Estados Unidos, entre eles o Japão, Coreia do Sul e a União Europeia. A diferença é que em nenhuma dessas dezenas de nações a taxa é tão alta quanto no Brasil.

O presidente norte-americano Donald Trump lançou mão desse tarifaço global com a justificativa de tentar reverter ou equilibrar uma balança comercial que ao longo de décadas tem sido extremamente deficitária para os Estados Unidos. Trump acusa esses países de estarem “se aproveitando” dos Estados Unidos, já que vendem muito, mas compram pouco do que os norte-americanos produzem. No caso brasileiro, porém, essa lógica não se aplica. O comércio entre o Brasil e os Estados Unidos tem sido há bastante tempo favorável aos norte-americanos; desde 2009, para ser mais exato. E, no primeiro semestre deste ano, a balança apontou um novo superávit para os norte-americanos, de US$ 1,674 bilhão. Segundo o próprio Trump, a motivação para a taxação tão alta para o Brasil é política. O presidente norte-americano diz haver uma “caça às bruxas” no País contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, que responde no Supremo Tribunal Federal (STF) pela acusação de liderar uma tentativa de golpe de Estado após ser derrotado na eleição presidencial de 2022.

Seria, dessa forma, uma espécie de “punição” ao Brasil, já que não há justificativa técnica. E esse quadro político mudou bastante desde que Trump anunciou as tarifas de 50%, em 9 de julho. Na segunda-feira (04/08), o ministro do STF Alexandre de Moraes decretou a prisão domiciliar de Bolsonaro. Para muitos analistas, esse movimento complicou ainda mais as tentativas já infrutíferas do governo brasileiro de tentar reverter as taxas, ou pelo menos de incluir mais setores e produtos na lista de exceções. Para a economia brasileira como um todo, a avaliação é de que o impacto será grande, mas não exatamente um desastre. Isso porque o Brasil é um país muito fechado, e depende pouco, no fim das contas, do comércio externo para sobreviver. Um relatório divulgado na segunda-feira (04/08) pelo UBS BB aponta que o efeito do tarifaço no PIB nacional será de no máximo 0,6%, levando-se em conta que 74% das exportações brasileiras para os Estados Unidos poderiam ser redirecionadas com uma certa facilidade a outros países, especialmente as commodities agrícolas.

O Goldman Sachs projeta um efeito ainda menor, de 0,25% no PIB, em um cenário que não considera uma retaliação significativa por parte do governo brasileiro. Medidas de apoio fiscal e de crédito aos setores mais afetados e alguma diversificação de comércio para mercados alternativos poderiam reduzir o impacto na atividade real devido às tarifas de importação mais altas dos Estados Unidos. Mas, para as empresas diretamente afetadas, pode ser um desastre. Muitas fabricam produtos específicos para o mercado norte-americano, sob demanda, e teriam muita dificuldade em direcionar sua produção rapidamente para outros mercados. É o caso de muitas fabricantes de máquinas e equipamentos, por exemplo. Alguns setores já vinham sofrendo os efeitos do tarifaço antes mesmo de ele entrar efetivamente em vigor.

Na segunda-feira (04/08), em Curiúva, no interior do Paraná, a Depinus, que exporta painéis e molduras feitos a partir de madeira reflorestada (plantada) de pinus e eucalipto, anunciou a demissão de 23 dos seus 50 empregados. A empresa exporta 90% do que fabrica para os Estados Unidos. O motivo é a paralisação de toda nossa venda para o mercado dos Estados Unidos. A empresa manterá ainda mais de 20 funcionários para tentar buscar novos mercados e atender os 10% que restaram (França, Caribe e um pouco de mercado interno). Caso as tarifas sejam revertidas nos próximos 20 dias, estes colaboradores serão reintegrados. A tendência é que esses se multipliquem pelo Brasil nos próximos dias, principalmente relacionados a pequenas e médias empresas, que têm menos fôlego financeiro para suportar uma quebra na demanda e menos flexibilidade para buscar novos mercados rapidamente. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.