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06/Aug/2025

Carlos Cogo: “se EUA elevar tarifa será devastador”

O consultor Carlos Cogo, da Cogo Inteligência em Agronegócio, não descarta o acirramento das relações entre Estados Unidos e o Brasil com possível tarifa adicional, somando até 100%, sobre as exportações brasileiras, se houver retaliação brasileira. Na sua opinião, isso seria “devastador” e poderia "inviabilizar todo tipo de negócio" do agronegócio nacional. "Para mim, essa tarifa adicional está perto. No dia 6 de agosto começa a vigorar a tarifa de 50% e, na sequência, em agosto ainda, deve-se decidir em função disso aqui, de uma tarifa adicional que aí pode simplesmente inviabilizar todo o tipo de negociação e de negócio por parte do Brasil", afirmou Cogo durante palestra no Congresso da Andav 2025, em São Paulo. "O presidente Donald Trump é tido como o homem das bravatas, mas a gente sabe que ele vai fazer a contrapartida. A gente pode esperar uma escalada das tensões agora", declarou.

Cogo ressaltou que o caráter político das tarifas complica o processo de negociação. "Você tem um grande ingrediente político colocado dentro disso tudo", disse, citando cadeias já afetadas, como café, açúcar, carne bovina e frutas frescas. No caso do café, ele afirmou que o produto está "na iminência de sair das tarifas e entrar na lista de exceções", dado o peso do Brasil na oferta global. "Pensei até que ia chegar aqui já com o café fora da lista, dado o tamanho, não só aqui no Brasil, mas o tamanho disso na economia norte-americana, gigante", afirmou. O analista também alertou para riscos adicionais, como a investigação aberta nos Estados Unidos pela seção 301, que vai analisar práticas desleais, inclusive desmatamento ilegal, pecuária em área de desmatamento. Embora acredite que "provavelmente nós nos livramos de tudo", destacou que se trata de um processo "lento, demorado, que pode nos trazer problemas".

Ele lembrou que o Brasil possui cotas no mercado americano para açúcar, carne bovina e etanol, e que a exclusão de programas comerciais pode complicar para o lado do Brasil. Diante do quadro, defendeu que a reação deve ser baseada no diálogo. "O que nós estamos defendendo no agronegócio, e conversando com todas as entidades, é negociar. Negociar, negociar e negociar. Essa é a estratégia", disse, reconhecendo que 'ficou difícil’, mas reiterando que "nós temos que negociar". Cogo também defendeu o resgate de uma atuação diplomática pragmática. "Nós precisamos retomar o pragmatismo diplomático. Aquele País que foi sempre um País que atendia o mercado kosher, o mercado Halal, atendia o mundo todo ao mesmo tempo, sem disputa", afirmou, acrescentando que "nós não devemos entrar nessas guerras, nenhuma delas", em referência às 33 guerras ativas no mundo, inclusive a comercial. Fonte: Broadcast Agro.