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06/Aug/2025

Tarifas dos EUA: café e carne já sentem impactos

Segundo o Rabobank, as tarifas adicionais impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros já têm efeitos concretos sobre os mercados. O setor de café enfrenta um "travamento" nas negociações com torrefadores norte-americanos, enquanto a carne bovina deve registrar queda de até 50% nas exportações ao país norte-americano a partir de agosto. Importadores norte-americanos não estão realizando novas compras com o Brasil, e os negócios estão sendo postergados à espera de uma eventual isenção. O Brasil é o maior fornecedor de café para os Estados Unidos, com quase 30% das importações, e o mercado norte-americano responde por cerca de 16% das exportações brasileiras do grão. É um perde-perde para os dois lados.

Na carne bovina, a expectativa também é de retração. A projeção é de uma queda de 50% na demanda dos Estados Unidos a partir de agosto. Mesmo com aumento de 113% nas compras norte-americanas no primeiro semestre, a projeção é de que o Brasil termine o ano com 250 mil toneladas exportadas ao país, avanço de apenas 10% ante 2024. A tarifa total (de 50% somada a 26,4% de extra-cota) eleva o custo da proteína brasileira para patamares acima de US$ 8 mil por tonelada, o que deve inviabilizar as compras por parte de alguns importadores. Frigoríficos já buscam redirecionar cargas para mercados como Arábia Saudita, Egito, México e Sudeste Asiático. Em contraste, o setor de suco de laranja foi poupado da nova tarifa e ganhou fôlego com o anúncio de isenção.

O suco de laranja brasileiro já pagava tarifa de US$ 415,00 por tonelada, e a exclusão dos 40% adicionais evita um impacto ainda maior. Os Estados Unidos respondem por até 40% das exportações brasileiras da bebida e importam do Brasil cerca de 60% do que consomem. A decisão destrava negociações e deve acelerar novos acordos comerciais. O açúcar, por outro lado, enfrenta um cenário menos dramático, mas com perda de competitividade, especialmente no segmento orgânico. O fim da cota preferencial para açúcar orgânico tende a favorecer origens como Colômbia e Paraguai. Para o açúcar convencional, as usinas da Região Nordeste ainda podem encontrar margens ao vender com desconto para os Estados Unidos, mesmo com a tarifa de 50%. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.