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06/Aug/2025

Tarifas dos EUA: setores afetados cobram medidas

Com o início do tarifaço de 50% dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros nesta quarta-feira (06/08), setores ligados à indústria e ao agronegócio intensificaram conversas com o governo para tentar definir um programa de socorro. Há pedidos por empréstimos subsidiados, redução de impostos e restituição acelerada de créditos acumulados ao longo da cadeia de produção, além de medidas para ajudar na manutenção dos empregos. Na segunda-feira (04/08), após encontro com associações da agropecuária, o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin, afirmou que um plano de contingência será divulgado nos próximos dias e que irá incorporar, entre outras medidas, linhas de crédito e aumento de compras governamentais, para ajudar a absorver produtos agrícolas e aumentar estoques.

Alckmin também adiantou que houve pedido dos setores para ampliar o programa Reintegra (que devolve crédito tributário acumulado ao longo da cadeia) para médias e grandes empresas. O plano de contingência prevê várias medidas, como crédito, pode prever compras governamentais. São várias medidas que devem estar sendo concluídas para serem anunciadas, afirmou. As pequenas empresas terão 3% de restituição do valor exportado (programa Acredita Exportação, anunciado antes do tarifaço), e o pleito do setor empresarial foi estender o programa para as demais empresas prejudicadas na exportação para os Estados Unidos, afirmou Alckmin. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, também afirmou que o plano pode prever, no curto prazo, compras governamentais e linha de crédito subsidiado para os setores mais afetados.

A Associação Brasileira das Indústrias de Pescados (Abipesca) afirmou que o governo apenas ouviu, mais uma vez, as demandas sem apresentar medidas concretas. Para a entidade, o Executivo ainda não entendeu a "urgência" do momento, adiantando, pelo menos, uma linha de crédito emergencial. A reunião foi considerada frustrante porque não vieram as medidas compensatórias que já haviam sido pedidas ao governo. O governo apontou que é preciso buscar novos mercados, e que as empresas terão ajuda para isso. Tudo isso leva tempo, mas o setor não tempo agora. O setor é inteligente, é capaz de se adequar e vai sobreviver, mas é preciso uma linha de crédito emergencial, para que o dinheiro chegue na ponta. Uma das preocupações do Ministério da Fazenda é de que as propostas de socorro sejam bem delimitadas, com ajuda somente para os verdadeiramente atingidos, e tenham prazo para acabar.

Integrantes da equipe econômica lembram que o governo vem fazendo esforços para ajustar as contas públicas, e que tiveram de brigar pelo fim de programas criados durante a pandemia e que acabaram se tornando permanentes, como o Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos (Perse). A Confederação Nacional da Indústria (CNI) elaborou oito pleitos do setor industrial, que foram entregues a Alckmin na semana passada. Na lista, figuram a criação de uma linha de crédito do BNDES, com taxas entre 1% e 4% para capital de giro; ampliação de 750 para 1.500 dias para liquidação dos Adiantamentos de Contratos de Câmbio (ACC); a reativação do Programa Seguro-Desemprego; e o adiamento por 120 dias do pagamento de impostos federais.

Essas são as medidas prioritárias, mas foi entregue ao governo uma lista maior, com 37 propostas. Segundo a entidade, 565 das 694 exceções ao tarifaço de 50% estão ligadas ao setor de aviação civil. Por isso, setores industriais relevantes, como de proteína animal e de máquinas e equipamentos, serão atingidos. A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas (Abimaq) afirmou que uma das preocupações é com o cancelamento de pedidos de exportação por parte dos norte-americanos. Isso fará com que os exportadores brasileiros percam as garantias junto aos bancos nos ACCs, uma espécie de empréstimo que antecipa às empresas os valores exportados. O setor vai pedir para o Banco Central um alongamento do prazo para liquidação dos empréstimos. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.