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06/Aug/2025

Tarifas dos EUA: Brasil foca no plano de contingência

O governo Lula não deverá retaliar os Estados Unidos neste momento, como resposta à sobretaxa de 50% aplicada pelo país a produtos brasileiros. O governo ainda busca esgotar as negociações com os Estados Unidos por meio das vias diplomáticas. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deverá validar o plano de contingência para socorrer as empresas brasileiras, para trabalhar no anúncio oficial. Uma das principais linhas de trabalho é a do financiamento a empresas e setores mais impactados. Inicialmente, autoridades do governo sinalizaram a intenção de adotar a lei da reciprocidade com os Estados Unidos, mas depois o governo recuou e vem indicando que uma eventual reciprocidade de tarifas não seria linear, em virtude dos eventuais impactos para a indústria, devido aos insumos importados norte-americanos. Na semana passada, o presidente Lula se disse disposto a negociar apenas aspectos comerciais da relação entre Brasil e Estados Unidos.

Os negociadores buscam reduzir a alíquota e/ou ampliar a lista de produtos isentos. O Ministério do Planejamento reforçou que as negociações com os Estados Unidos começaram logo que as tarifas de 50% a produtos brasileiros foram anunciadas e que as tratativas seguirão acontecendo, lideradas pelo vice-presidente Geraldo Alckmin. Mas, o presidente Lula mencionou que a soberania brasileira é inegociável; todo o resto dá para negociar. Alckmin se reuniu novamente com empresários do setor agropecuário na segunda-feira (04/08) para "dialogar e encontrar saídas". Apesar da exclusão de 694 itens das tarifas de 50%, segmentos como o de carne bovina e café seguem incluídos no tarifaço, que deverá começar a valer oficialmente nesta quarta-feira (06/08). Apesar do esforço brasileiro, é preciso "predisposição" em negociar por parte dos Estados Unidos.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta terça-feira (05/08) que, diante do tarifaço anunciado pelos Estados Unidos, o governo colocará em execução um plano de contingência para mitigar esse “ataque injusto” e aliviar seus prejuízos econômicos sociais. Ele reiterou que todas as medidas cabíveis serão tomadas, inclusive recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC). Lula reafirmou que o compromisso do governo é com os brasileiros. “O Brasil nunca saiu da mesa do diálogo. A única explicação que eu tenho é que interesses políticos, especialmente políticos eleitorais, não podem contaminar relações comerciais”, disse durante abertura da 5ª Reunião Plenária do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável (CDESS), o Conselhão, no Palácio Itamaraty.

Ele repetiu que irá avançar em negociações comerciais com Emirados Árabes, México e Canadá durante sua presidência rotativa do Mercosul, que vai até o final deste ano. O presidente Lula afirmou há pouco que o Brasil merece respeito e criticou a postura do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao anunciar novas taxações contra o País. Segundo Lula, Trump poderia ter ligado a ele ou ao vice-presidente Geraldo Alckmin, já que haveria disposição para diálogo. Ele acrescentou ainda que a medida não se trata de uma questão política, mas sim eleitoral. O presidente reforçou que o Brasil merece respeito no cenário internacional e destacou seu papel como exemplo de País negociador.

O presidente voltou a afirmar que o Brasil não pode depender de um único país e reiterou que está cansado de ser tratado como pertencente ao Terceiro Mundo. O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC), Geraldo Alckmin, afirmou que, após as retiradas de produtos do tarifaço do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a alíquota de 50% foi reduzida para 35%. A orientação é tentar reverter as taxas. O governo vai trabalhar para reverter esse processo e apoiar as empresas, o emprego, o setor produtivo, além de abrir mercado. Alckmin disse também que o tarifaço imposto por Trump é "totalmente injustificável" e que todas as pequenas empresas vão ter 3% de devolução imediata do crédito tributário. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.