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06/Aug/2025

Tensões políticas podem atrapalhar negociações

A Associação Brasileira do Agronegócio (Abag) afirmou que o Brasil vive uma "fase absoluta de negociação" para tentar reduzir o impacto do tarifaço de 50% que os Estados Unidos passarão a cobrar sobre diversos produtos brasileiros a partir desta quarta-feira (06/08). A entidade defendeu que a solução deve passar por negociação direta entre os presidentes dos dois países e alertou que o atual clima político interno pode prejudicar as conversas comerciais. Questionado sobre os possíveis impactos da prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro nas negociações com os Estados Unidos, a percepção é de que é muito difícil separar a questão política da ação comercial, principalmente com esse modelo do governo norte-americano. É preciso ter serenidade para não gerar impactos políticos que se traduzam em maus resultados comerciais.

A oposição anunciou obstrução no Congresso Nacional após a decisão judicial contra Bolsonaro, elevando a tensão institucional em momento crítico para as tratativas comerciais. A decisão sobre as tarifas não é uma decisão privada, é uma decisão de País, de governo, centralizada hoje na Casa Branca. A dificuldade de diálogo com autoridades norte-americanas é criticada. A saída está no diálogo presidencial, lembrando do histórico de relações entre os dois países. É uma questão de fato que o presidente da República do Brasil e o presidente da República dos Estados Unidos conversem, negociem no nível de uma história de parceria que sempre existiu desde quando o Brasil virou um país. Anos e anos atrás, o primeiro que apoiou foram os Estados Unidos da América. A entidade não acredita em "boa vontade" dos Estados Unidos, mas sim em interesses mútuos.

No caso do café, que será afetado pela medida, um terço das exportações brasileiras tem como destino o mercado norte-americano e cada unidade exportada gera 43 unidades de impacto positivo no mercado norte-americano. Além do café e das carnes, máquinas e equipamentos enfrentam situação grave com as novas tarifas. Todos esses setores têm que ser olhados sob a ótica da negociação. A percepção é de que quando os norte-americanos divulgaram a lista de produtos isentos, "estão absolutamente convidando para negociar". O setor privado tinha que fazer está fazendo, com representantes setoriais nos Estados Unidos conversando com suas contrapartes. No entanto, a decisão final cabe aos governos. A expectativa é de que uma conversa presidencial possa acontecer. Apenas US$ 1,22 bilhão dos embarques do agronegócio foram poupados, o que significa que cerca de 82% das exportações do agro brasileiro aos Estados Unidos ficarão sujeitas à tarifa.

O Brasil enfrenta um cenário internacional de avanço do unilateralismo e de medidas protecionistas e o agronegócio precisará preservar dois ativos para continuar competitivo: a eficiência produtiva e a capacidade de negociação da diplomacia nacional. O Brasil terá de enfrentar essa realidade mantendo a competitividade do seu agronegócio e a qualidade da sua diplomacia. O agronegócio responde por cerca de um quarto do Produto Interno Bruto (PIB) e dos empregos no País, além de ser responsável pelo saldo positivo da balança comercial. Enquanto a produtividade total de fatores da economia brasileira está abaixo da média mundial, a do agro nacional é quase três vezes maior que a média global. Também foi ressaltado o papel da rede de distribuição de insumos na manutenção da produtividade no campo. A Associação Nacional dos Distribuidores de Insumos Agrícolas e Veterinários (Andav) tem um papel fundamental de levar tecnologias essenciais à produtividade, por meio dos insumos, para todo o Brasil. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.