05/Aug/2025
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta segunda-feira (04/08) que, de maio para julho, a questão das tarifas foi politizada pela oposição no sentido de misturar a questão comercial com política. Nenhum outro país viveu essa situação, nem mesmo países que não são democráticos, que têm governos autoritários. Mas, nem por isso, as tarifas foram usadas com finalidade política. No Brasil, em virtude de a oposição ter se mobilizado contra os interesses nacionais, mudou de maio para julho a posição dos Estados Unidos. Para ele, o governo tem que procurar despolitizar o debate comercial. De acordo com Haddad, o comércio internacional não pode ser utilizado para interesses eleitorais de um país que quer ver o Brasil governado por forças que querem entregar as riquezas nacionais, incluindo terras raras, os minerais críticos.
São questões de soberania nacional que nada têm a ver com o debate comercial. Haddad também afirmou que além da China e da União Europeia, também quer que os Estados Unidos invistam no Brasil. O País é grande demais para servir de satélite de um bloco econômico, seja asiático, europeu ou estadunidense. É preciso diversificar cada vez mais. Não é por outra razão que o presidente Lula insistiu tanto no acordo com a União Europeia, que está para ser selado até o final desse ano, com grandes vantagens para as duas regiões, para que não haja justamente o fim do multilateralismo. Para ele, com a diversificação dos investimentos, o mundo será mais rico.
Tão mais próspero quanto mais multilateral ele for, quanto mais oportunidade for distribuída do ponto de vista geográfico, para que as regiões todas tenham oportunidades, para que o mundo todo tenha condições de prosperar, sem que os fluxos migratórios sejam tão intensos em busca de oportunidades econômicas, para garantir efetivamente uma democratização das oportunidades econômicas por um planeta que hoje está estressado pela crise climática. Há muita coisa a se fazer com os Estados Unidos. O Brasil não tem que se afastar de um parceiro de 200 anos e os Estados Unidos que precisam compreender que o Brasil deseja parcerias, mas não na condição de satélite, não na condição de colônia, mas na condição de país soberano, que tem interesse em parcerias com todo o planeta.
Fernando Haddad afirmou que são inaceitáveis os pedidos de intervenção tanto na área política quanto na comercial contra o Brasil. Ele também disse que há forças políticas dentro do País que estão trabalhando contra os interesses nacionais. Isso precisa ser resolvido de uma vez por todas. A saída é que o País se resolva internamente. A oposição e a situação têm que sentar-se à mesa e defender os interesses nacionais, fortalecer quem está negociando pelo Brasil, a autoridade constituída que está negociando pelo Brasil. Ela que precisa ser fortalecida. Só assim será possível resolver esse problema da melhor maneira possível. O ministro também criticou quem vai às ruas pedir intervenção norte-americana e tarifaço contra o Brasil.
O ministro da Fazenda descartou que um possível incômodo com o Brics esteja por trás da decisão do presidente dos Estados Unidos de taxar produtos importados do Brasil em 10% e, alguns deles ainda receberem uma alíquota extra de 40%. O País foi sede da reunião de líderes do bloco no mês passado, no Rio de Janeiro. Se isso fosse verdade, a Índia, a China e a África do Sul teriam sido taxados em 50%, citou Haddad, salientando que mencionava as nações fundadoras do grupo, mas que outros países recentemente entraram para o grupo. Ele não citou a Rússia e comentou que o bloco é hoje o maior destino das exportações brasileiras, enquanto o País tem déficit com os Estados Unidos. Nem por isso, os Estados Unidos taxaram em 50% os países do Brics, com os quais eles têm muito mais divergência do que com o Brasil, inclusive. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.