05/Aug/2025
Empresas nos Estados Unidos se preparam para elevar os preços aos consumidores norte-americanos enquanto digerem o impacto de bilhões de dólares das tarifas do presidente Donald Trump, previstas para entrar em vigor nesta semana. Muitas empresas seguraram o repasse do aumento de custos, adotando diferentes estratégias, na expectativa de que o republicano recuasse em suas políticas comerciais e, ainda assim, a maioria entregou resultados acima das projeções no segundo trimestre. Até o momento, cerca de dois terços das empresas do índice S&P 500, que reúne as maiores companhias abertas do mundo, divulgaram seus números trimestrais. Do total, 82% das empresas listadas tiveram lucro líquido por ação (EPS) mais forte do que o mercado projetava, proporção que supera a média de cinco e dez anos, segundo a FactSet. Se 82% for o número final para o trimestre, marcará a maior percentagem de empresas do S&P 500 relatando uma surpresa positiva no lucro trimestral desde o terceiro trimestre de 2021.
Surpresa positiva também nas receitas do segundo trimestre, que têm crescido em ritmo mais acelerado do que o visto nos três meses anteriores e no período pré-Covid, mostra levantamento do Bank of America. Isso pode ser resultado de margens mais fracas, à medida que as empresas absorvem os novos custos das tarifas de Trump. Desde o anúncio das tarifas, que ficou conhecido como o 'Dia da Libertação', em 2 de abril, o setor privado norte-americano passou a adotar medidas de contingência, como corte de gastos e de contratações, para segurar o impacto de bilhões de dólares que as novas alíquotas devem causar na maior economia do mundo. Agora, a expectativa é que os preços comecem a subir ainda no verão do Hemisfério Norte, alertou o Citigroup. Empresas que têm evitado repassar os custos das tarifas aos consumidores, na esperança de que Donald Trump recue, estão se preparando para aumentar os preços, reforçou o economista norte-americano Paul Krugman, vencedor do Nobel de 2008, em análise publicada nesta segunda-feira (04/08).
A Colgate-Palmolive antecipou que terá de elevar mais os preços e diminuir o tamanho de alguns produtos, processo conhecido como shrinkflation, para chegar ao piso de sua projeção de vendas orgânicas neste ano. O ambiente de custos é difícil, devido aos aumentos tarifários. A Berkshire Hathaway, do bilionário Warren Buffett, alertou para os efeitos "incertos" do tarifaço de Trump, ao relatar resultados trimestrais acima das expectativas. A gigante, que mantém investimentos em empresas como Apple e Coca-Cola, admitiu que não pode prever "de forma confiável" o impacto definitivo das novas alíquotas sobre seus negócios, seja por meio de alterações na disponibilidade de produtos, nos custos e na eficiência da cadeia de suprimentos ou na demanda dos clientes. É impossível saber o que acontecerá. Onde as tarifas finalmente se estabelecerão, especialmente na China, reforçou a Amazon.
Apesar do ambiente incerto, empresas norte-americanas aproveitaram a temporada de resultados do segundo trimestre para ajustar uma nova projeção de resultados (guidance) que entrou no radar dos analistas de Wall Street desde o 'Dia da Libertação': o custo do tarifaço de Trump. A Apple espera que a nova política comercial dos Estados Unidos cause um impacto de US$ 1,1 bilhão no período de julho a setembro. No trimestre encerrado em junho, a fabricante de iPhones informou que absorveu US$ 800 milhões em custos tarifários. Enquanto isso, a Ford disse que as tarifas de Trump vão lhe custar US$ 2 bilhões neste ano. No segundo trimestre, a montadora norte-americana teve prejuízo líquido de US$ 29 milhões, revertendo o lucro de US$ 1,83 bilhão um ano antes. As tarifas tiraram US$ 800 milhões do lucro da montadora que, apesar de fabricar a maioria de seus veículos nos Estados Unidos, utiliza peças e materiais importados.
Na mesma linha, a General Motors (GM) relatou que sua conta das tarifas de Trump no segundo trimestre foi de US$ 1,1 bilhão. A montadora estima o impacto bruto de tarifas entre US$ 4 bilhões e US$ 5 bilhões em 2025 e espera compensar ao menos 30% desse valor por meio de ajustes de manufatura, iniciativas de custo direcionadas e precificação consistente. As tarifas de Trump também atropelaram o planejamento do setor de varejo nos Estados Unidos para as festas de fim de ano, faltando cerca de 20 semanas para o Natal. Dentre as estratégias adotadas, empresas estão reforçando seus estoques e preveem catálogos de ofertas mais enxutos, além do risco da falta de alguns produtos. Por ora, há mais dúvidas do que certezas: ninguém sabe o que acontece quando esgotar o estoque comprado antecipadamente. “Se os custos acabarem sendo mais altos, quem os absorverá?”, questionou a Amazon. Para economistas e executivos, o consumidor norte-americano parece ser a resposta mais provável no curto prazo. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.