04/Aug/2025
Pressionados por empresas que não escaparam do tarifaço dos Estados Unidos ao Brasil, os governos estaduais das regiões mais impactadas decidiram manter as medidas de socorro para quem foi afetado pelas tarifas de 50% decretadas pelo presidente norte-americano, Donald Trump. As ações incluem financiamento subsidiado e liberação de créditos do ICMS. Trump taxou os produtos brasileiros comprados pelos norte-americanos em 50%, mas com uma longa lista de exceções, que incluem suco de laranja, aviões da Embraer e petróleo. Por outro lado, café, açúcar, carne, calçados, cerâmica e outros produtos foram taxados. O governo do presidente Lula também prepara medidas para socorrer empresas, que devem ser anunciadas nos próximos dias.
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, decidiu aumentar a verba destinada a ajudar empresas e liberou R$ 400 milhões em crédito subsidiado para os exportadores, conforme a Coluna do Estadão antecipou. Antes, ele havia anunciado a liberação de R$ 200 milhões. Há preocupação com setores atingidos, como o café e a carne. Até o momento, 150 companhias manifestaram interesse na linha de crédito. Os pedidos estão em análise. As empresas precisam comprovar que são exportadoras ativas e que mantêm relações comerciais com os Estados Unidos. O governo de São Paulo anunciou ainda a liberação de R$ 1,5 bilhão em créditos acumulados de ICMS, por meio do programa ProAtivo. O benefício poderá ser solicitado por empresas que exportam e que possuam créditos acumulados aptos à transferência.
Isso acontece quando empresas pagam mais imposto do que deveriam e ficam com créditos a receber. Ao “vender” esses créditos para outras empresas, elas ganham liquidez. Cada empresa poderá solicitar até R$ 120 milhões em créditos. As regras ainda serão publicadas, e o governo promete liberar o valor a partir de setembro deste ano. As companhias que exportam para os Estados Unidos terão um limite para liberação quatro vezes superior às outras. São medidas para preservar a competitividade da indústria e proteger o emprego e a renda. No Rio Grande do Sul, os maiores exportadores, entre eles a fabricante de armas Taurus e a indústria calçados, não escaparam e foram sobretaxados por Trump. As medidas contemplam oferta de crédito subsidiado a empresas que forem impactadas, além de estar estudando outras medidas, disse o governador Eduardo Leite.
O governador disponibilizou um programa de crédito de R$ 100 milhões por meio do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE) para socorrer exportadores de diferentes setores diante do anúncio dos Estados Unidos de sobretaxar em 50% os produtos brasileiros. O financiamento já está disponível. Eduardo Leite afirmou que a administração estadual também estuda liberar créditos do ICMS às empresas afetadas. Segundo ele, a medida representaria um alívio para as companhias exportadoras que hoje não conseguem aproveitar esses créditos. É a possibilidade de vender créditos acumulados de ICMS na cadeia produtiva e que a empresa não consegue abater porque exporta, sem incidência de ICMS. O governo do Paraná anunciou um pacote de medidas de apoio aos setores impactados pelo tarifaço e decidiu manter as ações aos setores que não escaparam da sobretaxa adicional.
O segmento mais afetado no Estado é a madeira, e alguns produtos foram efetivamente enquadrados na alíquota de 50%. Entre as medidas estão oferta de crédito e renegociação de empréstimos em andamento com subsídios do Estado. O governo também decidiu liberar a utilização créditos do ICMS para que empresas monetizam esse valor e façam fluxo de caixa. O Estado avalia ainda fazer um novo aporte de capital no Fundo de Desenvolvimento Econômico (FDE) para oferecer mais recursos no mercado com juros baixos para empresários dos setores atingidos. O decreto tarifário gera preocupação porque o Paraná é um grande exportador. A nova taxação afeta os setores de madeira reflorestada, café, chá, carnes, couro, mel, móveis, peixes, cerâmica e erva-mate, que não entraram nas exceções.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que está aberto a firmar parcerias com governadores de Estados brasileiros para mitigar os impactos do tarifaço dos Estados Unidos. O governador do Ceará, Elmano de Freitas, busca apoio do governo federal para a compra de produtos alimentícios para a merenda do Estado. Haddad afirmou que o governador que quiser vir a Brasília para parcerias, no sentido de socorrer a sua indústria, a sua agricultura, o governo federal estará disponível. A ideia é somar forças com o governo federal, sem ideologias, sem tentar tirar vantagem política. O foco é no empresário, no trabalhador, no interesse nacional. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.