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04/Aug/2025

Brasil e EUA: cautela com a escalada diplomática

Para o ex-embaixador do Brasil em Washington, Rubens Barbosa, no caso das tarifas levantadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra importações do Brasil, faz-se necessário separar a escalada político-diplomática da escalada comercial. O Brasil negociou a parte comercial muito bem, foram feitos contatos seguidos desde abril até recentemente, no nível do Ministério da Indústria e Comércio, com o Ministério do Comércio dos Estados Unidos e com a US Chamber of Commerce. E as empresas brasileiras foram para os Estados Unidos conversar com as suas contrapartes norte-americanas e com a US Chamber of Commerce para que eles pressionem o governo norte-americano em função dos próprios interesses. E isso foi bem-sucedido.

Para o ex-embaixador, as negociações no campo comercial beneficiaram diretamente e positivamente perto de 50% das exportações brasileiras, o que foi um alívio, um parcial do impacto negativo sobre o setor privado, industrial e agrícola. Em relação à escalada política e diplomática, o governo tem que fazer alguma coisa. Não é possível ficar oito meses com a oposição bolsonarista em Washington, sozinha, falando para o governo norte-americano o tempo todo, sem nenhuma participação do governo brasileiro, para mostrar que o que estava sendo falado não correspondia à verdade, que o judiciário é independente, enfim, acabar com a desinformação. Somente no fim de julho, depois de seis meses, houve um primeiro contato do ministro de Relações Exteriores, Mauro Vieira, com o Departamento de Estado Americano. Isso é um começo e deve ser estimulado.

Porém, a escalada pode ainda não ter terminado. Por isso, se o Brasil retaliar medidas políticas com medidas econômicas, vai ser contra o interesse brasileiro. Rubens Barbosa voltou a ridicularizar a carta que Trump enviou ao governo brasileiro em 9 de julho. Desde o começo, Barbosa mostrou que a Carta de 9 de julho era uma carta circular que foi mandada para todos os países, inclusive não se deram nem o trabalho de mudar o déficit do Brasil perante os Estados Unidos pelo superávit. Deixaram o déficit lá, o que mostra que era uma carta circular e foi introduzido, na última hora, o primeiro parágrafo. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.