04/Aug/2025
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou decreto no dia 31 de julho, estabelecendo o que ele chama de tarifas recíprocas para 69 parceiros comerciais, com alíquotas que vão de 10% a 41%. O texto também altera a data de início de cobrança das novas taxas, agora definida para o dia 7 de agosto. A lista divulgada pela Casa Branca inclui países como Síria (41%), Suíça (31%) e Taiwan (20%). O documento também confirma outras taxas já anunciadas pelo presidente norte-americano, como a de 30% sobre mercadorias importadas da África do Sul e a de 25% no caso da Índia. O Brasil também aparece na lista, mas com uma tarifa recíproca de 10%. Porém, no dia 30 de julho, Trump já havia assinado outra medida que prevê taxa adicional de 40% sobre produtos brasileiros, elevando o valor total da sobretaxa para 50%, a maior até agora.
Algumas das tarifas refletem acordos comerciais preliminares negociados entre os Estados Unidos e alguns parceiros comerciais, incluindo Reino Unido, Indonésia, Filipinas, Japão, Coreia do Sul e União Europeia. Embora muitos dos termos específicos dos acordos permaneçam indefinidos, os países prometeram, em geral, comprar grandes quantidades de energia e aviões americanos, investir em fábricas nos Estados Unidos e reduzir barreiras às exportações agrícolas e industriais norte-americanas. Países que concordaram com esses acordos preliminares nas últimas semanas estarão sujeitos a tarifas entre 10% e 20%, inferiores às sinalizadas originalmente por Trump, mas ainda muito superiores aos níveis históricos. O governo afirmou que seus acordos comerciais abrirão mercados estrangeiros para agricultores e fábricas dos Estados Unidos e aumentarão a prosperidade norte-americana.
Mas, as tarifas enfrentam possíveis obstáculos legais. No dia 31 de julho, um tribunal federal de apelações ouviu argumentos em um caso movido por empresas e Estados norte-americanos que alegam que o presidente excedeu sua autoridade ao impor taxas tão abrangentes. O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) publicou as primeiras análises oficiais das tarifas sobre as exportações brasileiras. Segundo levantamento preliminar da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), a sobretaxa de 50% incidirá sobre 35,9% das exportações brasileiras para os Estados Unidos, o que correspondeu a US$ 14,5 bilhões em 2024. Estão excluídos do decreto 45% das vendas brasileiras para o mercado norte-americano (US$ 18 bilhões em 2024). Além disso, 19,5% das exportações brasileiras para os Estados Unidos estão sujeitas a tarifas específicas, aplicadas a todos os países, correspondendo em 2024 a US$ 7,9 bilhões.
Essas tarifas foram adotadas com base na Seção 232 (segurança nacional) e, sobre esses produtos, não se aplica a medida anunciada na quarta-feira (30/07). Os produtos em trânsito não serão afetados pelas tarifas adicionais. A decisão de 30 de julho exclui da majoração tarifária mercadorias que tenham sido embarcadas, no Brasil, até sete dias após a data do decreto de Trump. Conforme o jornal The New York Times, o decreto concede um pequeno período de carência para as tarifas, para entrar em vigor à 0h1 do dia 7 de agosto, e não em 1º de agosto como antes previsto. Além disso, mercadorias embarcadas antes dessa data, 7 de agosto, e que entrarem nos Estados Unidos antes de 5 de outubro, também estarão sujeitas à tarifa vigente. O documento indica uma tarifa de 15% para países como Venezuela, Costa Rica, Bolívia, Nigéria e Turquia.
A tarifa ajustada para Taiwan é de 20%, ante 32% quando anunciada em 2 de abril. A tarifa recíproca ajustada para a Índia está em 25%. A Síria enfrentará uma tarifa recíproca ajustada de 41%. Para a Suíça, a tarifa recíproca ajustada é de 39%. A taxa de 30% consta para a África do Sul. A lista também aponta as alíquotas para parceiros que já fecharam acordo, como o Japão e União Europeia, por exemplo. Para o Brasil, consta uma tarifa recíproca ajustada de 10%. Porém, Trump impôs uma alíquota adicional ad valorem de 40% sobre certos produtos do Brasil. A lista aponta parceiros comerciais que concordaram, ou estão prestes a concordar, com compromissos significativos de comércio e segurança com os Estados Unidos; parceiros que, apesar de terem se engajado em negociações, ofereceram termos que, ao olhar de Trump, não abordam suficientemente os desequilíbrios no relacionamento bilateral; além de países que não se envolveram em negociações ou não "tomaram medidas adequadas para se alinhar suficientemente". Confira as tarifas recíprocas ajustadas por parceiro comercial:
Afeganistão: 15%
África do Sul: 30%
Argélia: 30%
Angola: 15%
Bangladesh: 20%
Bolívia: 15%
Bósnia e Herzegovina: 30%
Botswana: 15%
Brasil: 10%
Brunei: 25%
Camboja: 19%
Camarões: 15%
Cazaquistão: 25%
Chade: 15%
Coreia do Sul: 15%
Costa do Marfim: 15%
Costa Rica: 15%
Equador: 15%
Filipinas: 19%
Fiji: 15%
Gana: 15%
Guiné Equatorial: 15%
Guiana: 15%
Ilhas Falkland: 10%
Ilhas Maurício: 15%
Índia: 25%
Indonésia: 19%
Iraque: 35%
Islândia: 15%
Israel: 15%
Japão: 15%
Jordânia: 15%
Laos: 40%
Lesoto: 15%
Líbia: 30%
Liechtenstein: 15%
Macedônia do Norte: 15%
Madagascar: 15%
Malawi:15%
Malásia: 19%
Moldova: 25%
Moçambique: 15%
Myanmar (Burma): 40%
Namíbia: 15%
Nauru: 15%
Nova Zelândia: 15%
Nicarágua: 18%
Nigéria: 15%
Noruega: 15%
Paquistão: 19%
Papua Nova Guiné: 15%
Reino Unido: 10%
República Democrática do Congo: 15%
Sérvia: 35%
Sri Lanka: 20%
Suíça: 39%
Síria: 41%
Tailândia: 19%
Taiwan: 20%
Trinidad e Tobago: 15%
Tunísia: 25%
Turquia: 15%
Uganda: 15%
União Europeia (dois tipos de taxação): 0% e 15%
Vanuatu: 15%
Venezuela: 15%
Vietnã: 20%
Zâmbia: 15%
Zimbabwe: 15%
Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.