10/Jul/2025
No mais recente capítulo de sua errática guerra tarifária, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, enviou cartas a 14 países ameaçando impor tarifas de importação que variam de 25% a 40% a partir de 1º de agosto. Entre os alvos estão parceiros históricos como Japão e Coreia do Sul. Por meio da Truth Social, a rede social da qual é proprietário, Trump disparou missivas praticamente idênticas tratando como favor as ameaças que mais uma vez lança sobre países com os quais os Estados Unidos mantêm déficits comerciais; déficits que, na visão do presidente norte-americano, são estratégias deliberadas dos parceiros comerciais para enfraquecer os Estados Unidos. Pouco mais de três meses após o malfadado "Dia da Libertação", no qual anunciou tarifas e prazos que já mudaram algumas vezes, boa parte das ações de Trump perdeu a credibilidade. São tantas as idas e vindas que o termo "Taco" ("Trump Always Chickens Out", ou "Trump sempre amarela") popularizou-se.
Mas se nem tudo, ou quase nada, que Donald Trump diz pode ser comprado pelo valor de face, suas ações aparentemente desarrazoadas geram consequências, entre as quais volatilidade nos mercados globais e incertezas nas empresas, sobretudo as de menor porte, que apesar de empregarem milhões de pessoas mundo afora não conseguem lidar com o caos semeado por Trump com a mesma eficiência e agilidade que aquelas de maior porte. Além disso, as constantes ameaças do presidente norte-americano atropelam relações estratégicas forjadas ao longo de décadas com países que compartilhavam os valores ocidentais com os Estados Unidos. É o caso do Japão, a quem Donald Trump agora ameaça com tarifas de 25% e país com o qual os Estados Unidos mantêm uma sólida aliança desde o fim da 2ª Guerra Mundial, que se estende do plano militar ao comercial. Na visão limitada de Trump, uma relação entre países só é satisfatória quando os Estados Unidos têm superávit comercial.
Como o Japão é um dos principais exportadores de veículos para os norte-americanos, merece ser punido, acredita Trump. O presidente norte-americano, contudo, parece não ter levado em conta o papel crucial que o Japão desempenha na Ásia como contraponto à China, país que efetivamente ameaça os Estados Unidos na seara comercial. Curiosamente, enquanto o Japão e outros aliados, como Coreia, Canadá e México, são tratados por Trump como países que prejudicam os Estados Unidos, a Rússia de Vladimir Putin é uma das poucas nações que escaparam, até agora, da sanha tarifária do republicano. Um dos pilares do Brics, a quem Trump agora ameaça com tarifas adicionais de importação de 10% (em algum momento a ameaça foi pior, de 100%), a Rússia é a grande ausente da confusão tarifária armada pelo republicano. Quem sabe agora que se revelou “desapontado” com Putin, que, ora vejam, não se esforça para pôr fim à guerra na Ucrânia, Trump deixe de fustigar aliados e passe a jogar duro com os verdadeiros vilões. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.