02/Jul/2025
Após três pregões seguidos de queda, o dólar fechou a sessão desta terça-feira (1°/07), em alta de 0,50%, a R$ 5,46. O desconforto com o imbróglio em torno do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e a alta das taxas dos Treasuries abriram espaço para uma realização de lucros no mercado local. Embora analistas avaliem que há boas chances de nova rodada de apreciação do Real no curto prazo, a tendência é que investidores adotem uma postura mais cautelosa daqui para frente, uma vez que o dólar recuou 4,99% em junho e fechou o primeiro semestre com desvalorização de 12,07%, nos menores níveis desde meados de setembro. Segundo a Frente Corretora, a decisão do governo de judicializar a questão do IOF traz um pouco de insegurança para os investidores em um ambiente em que o dólar já caiu bastante. As incertezas em relação ao quadro fiscal doméstico podem pesar sobre o Real nos próximos meses. O exterior e a taxa Selic em 15% por enquanto mantêm o dólar em um nível baixo.
O ministro da Advocacia-Geral da União, Jorge Messias, informou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu apresentar ao Supremo Tribunal Federal (STF) ação para restaurar os efeitos do decreto que aumentava as alíquotas do IOF. A argumentação é que a derrubada do decreto do governo pelo Congresso viola o princípio da separação dos poderes. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que para fechar o orçamento de 2026 com cumprimento da meta fiscal, de superávit de 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB), vai precisar do aumento do IOF, além de corte de R$ 15 bilhões em benefícios tributários e dos efeitos da Medida Provisória encaminhada ao Congresso com elevação de tributos sobre bets e aplicações financeiras, entre outros pontos. Para a Equador Investimentos, mesmo com uma eventual vitória do governo no STF na questão do IOF, há um desgaste da relação entre Legislativo e Executivo, o que tende a piorar as chances de aprovação de projetos neste segundo semestre e comprometer as medidas de ajuste fiscal.
No exterior, o índice DXY, termômetro do comportamento do dólar em relação a uma cesta de seis divisas fortes, apresentava leve recuo, na casa dos 96,700 pontos. As taxas dos Treasuries de 2 e 10 anos subiram com a aprovação, pelo Senado norte-americano, do pacote orçamentário do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que traz cortes de impostos e pode agravar a situação fiscal do país. Entre indicadores dos Estados Unidos, o índice de atividade industrial (PMI), elaborado pelo Instituto para Gestão da Oferta (ISM) subiu de 48,5 em maio para 49 em julho, praticamente em linha com as estimativas (49,1). Leituras abaixo de 50 indicam contração da atividade. De outro lado, relatório Jolts mostrou abertura de 7,769 milhões de postos de trabalho em maio, acima da estimativa de analistas (7,3 milhões). A grande expectativa é pela divulgação, nesta quinta-feira (03/07), do relatório mensal de emprego (payroll) de junho.
Números mais fracos podem reforçar apostas em cortes de juros pelo Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) já em julho. Em participação no seminário promovido pelo Banco Central Europeu (BCE) em Portugal, o presidente do Fed, Jerome Powell, não descartou a possibilidade de redução dos juros em julho. "Dependerá dos dados", afirmou Powell, quando indagado sobre o tema. O Banco Master lembra que o Dollar Index acumulou queda de mais de 10% no primeiro semestre e teve no segundo trimestre seu pior desempenho trimestral desde 1986. Esse movimento está relacionado tanto ao excesso de compras no final do ano passado quanto às pressões políticas nos Estados Unidos para corte de juros. Donald Trump tem pressionado fortemente o Fed. No fim de 2024, o mercado embarcou no chamado ‘Trump trade’, esperando um fortalecimento da moeda norte-americana. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.