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02/Jul/2025

Plano Safra 2025/2026: Zarc exigido em custeio

Segundo o Ministério da Agricultura, os novos financiamentos de custeio de médios e grandes produtores em operações acima de R$ 200 mil terão a exigência de cumprimento das recomendações do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc). A medida passa a valer no Plano Safra 2025/2026, que começou nesta terça-feira (1º/07). A medida é importante porque evita que o produtor possa financiar a sua safra e a sua lavoura fora da janela ideal, o que aumenta o risco à produção, afirmou o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro. Anteriormente, a medida estava restrita a operações de até R$ 200 mil contratadas por agricultores familiares do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) com enquadramento obrigatório no Proagro. Agora, a exigência se estende a financiamentos acima desse valor a todos portes de produtores, incluindo em contratos em que o Proagro não é obrigatório.

O zoneamento tem por objetivo reduzir os riscos relacionados aos problemas climáticos e orienta o produtor quanto ao período adequado para semeadura da oleaginosa em cada região de acordo com o solo e a variedade da cultura. A política define as áreas e os períodos de semeadura, de acordo com probabilidades de perdas de produtividade de 20%, 30% e 40%. A concessão de crédito rural e a cobertura de seguro rural estão vinculados ao Zarc. O Ministério da Agricultura informou que a medida pretende evitar a liberação de crédito fora dos períodos indicados ou em áreas com restrições, contribuindo para maior segurança e sustentabilidade na produção. Produtores de áreas em que não houver zoneamento disponível para o município ou para a cultura financiada estarão excetuados da regra.

O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, afirmou que o Plano Safra 2025/2026 prioriza a aplicação de recursos para o custeio e comercialização em vez do investimento. O custeio e a comercialização são prioridades. O custeio saiu de R$ 401,3 bilhões para R$ 414,7 bilhões. Os investimentos ficaram praticamente iguais, de R$ 107,3 bilhões para R$ 101,5 bilhões. Fazer um Plano Safra dessa magnitude significa uma supersafra, como a colhida em 2025. A supersafra não é apenas de 330 milhões de toneladas de grãos, mas é muito mais que isso.

São mais de 1,1 bilhão de toneladas produzidas no campo. Agrega-se aos grãos mais de 700 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, mais a produção de celulose, mais 70 milhões de frutas, mais 70 milhões de toneladas de carnes. Fávaro ressaltou também a importância da colheita para o combate à inflação, especialmente dos alimentos. O preço dos alimentos caiu, combatendo a inflação, gerando oportunidade, garantindo excedentes para exportação. O ministro destacou a ampliação do acesso de pequenos e médios produtores ao Funcafé. Citou ainda a unificação das linhas de crédito do Inovagro e do Moderagro. Isso vai permitir ampliar recursos para inovação.

O ministro ressaltou ainda o aumento do limite de enquadramento do Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp) para R$ 3,5 milhões por ano. Fávaro também citou a junção do Inovagro com o Moderagro como outro destaque do atual Plano Safra, unificando as duas linhas de crédito, somando e colocando mais recursos para que as cooperativas, os produtores, a agroindústria possam estimular a inovação tecnológica e ganhar competitividade. Para a Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura, o Plano Safra 2025/2026 trouxe avanços relevantes nas políticas voltadas à sustentabilidade e gestão de riscos climáticos.

Um dos destaques é a exigência de cumprimento do zoneamento agrícola de risco climático (Zarc) para todas as operações de custeio. Esse é um grande avanço na gestão de risco climático: direcionar o crédito rural para regiões e janelas de plantio de menor risco. Destaque também para a manutenção de taxas de juros reduzidas para linhas de investimento em sustentabilidade, como no caso do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). São quatro linhas super relevantes: semiárido, agroecologia, bioeconomia e floresta, todas com taxa de 3% ao ano. Isso representa uma taxa real negativa, considerando os 15% da Selic.

O financiamento à irrigação, como medida de adaptação climática, também foi explicitado, o que é relevante, já que cerca de 50% das perdas do Proagro são por seca. Na agricultura empresarial, o programa Renovagro recebeu aumento de recursos mesmo com a redução geral no montante disponível para investimento. O volume ultrapassou R$ 8 bilhões, e a rubrica específica para recuperação ou conversão de pastagens degradadas soma R$ 2,1 bilhões. Os juros mais altos podem comprometer a viabilidade econômica de projetos sustentáveis, especialmente na pecuária.

A depender do sistema produtivo, pode perder a viabilidade econômica com essas taxas altas. Isso pode acarretar uma redução do apetite por esse tipo de investimento. Em contrapartida, há uma oportunidade na agricultura familiar, onde as taxas foram mantidas em 3% ao ano. Para que o Plano Safra se torne verdadeiramente transformador do ponto de vista ambiental, é preciso um olhar mais estratégico para a conversão de pastagens degradadas.

Mesmo dentro do RenovAgro, quem toma os recursos ainda é majoritariamente o agricultor, e não o pecuarista. Pela característica mais avessa ao risco e à transição tecnológica, o pecuarista ainda não está acessando esse crédito. A Coalizão propõe um redesenho nas políticas de crédito para a pecuária, atrelando, por exemplo, o financiamento para compra de bovinos à recuperação da pastagem. Se financiar só a compra, talvez piore a degradação. É preciso um crédito mais completo, que olhe o solo como o grande ativo do produtor. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.