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02/Jul/2025

Plano Safra: percepções do setor cooperativista

A Organização das Cooperativas Brasileiras (Sistema OCB) afirmou que o governo buscou preservar o volume de recursos no Plano Safra 2025/2026, mesmo diante de restrições orçamentárias, mas alertou que o aumento dos juros pode adiar projetos importantes, especialmente os ligados à infraestrutura das cooperativas. Foi um exercício da equipe econômica do governo e do Ministério da Agricultura para que pudesse ser divulgado um montante acima da safra passada. No entanto, boa parte do volume anunciado está apoiado em recursos livres e operações com Cédulas de Produto Rural (CPRs), o que gera dúvidas quanto ao direcionamento efetivo das verbas para os produtores.

As CPRs têm seu papel dentro da política agrícola, mas quando a gente fala em Plano Safra, da expectativa do produtor rural e de sua cooperativa, o grande chamariz são os recursos equalizados, com taxa definida vinculada à política de crédito rural. Esses recursos, porém, foram diretamente afetados pelo contexto macroeconômico, com a Selic ainda elevada e limitações fiscais. Para não perder tanto volume de recursos, foi preciso subir as taxas de juros. Houve um incremento quase linear de 2% nas principais linhas, com exceção do Programa para Construção e Ampliação de Armazéns (PCA), cuja taxa subiu 1,5%. Na avaliação do Sistema OCB, o ambiente de juros altos deve levar o setor a reavaliar seus projetos de investimento.

Provavelmente, alguns projetos que já estão em andamento vão buscar financiamento, mas outros que ainda estão em fase de maturação talvez esperem uma condição mais favorável. Os custos dos investimentos de longo prazo são diluídos ao longo dos anos. Apesar das críticas aos custos mais altos, há pontos positivos no novo ciclo de crédito rural. Observou-se a manutenção da arquitetura da política agrícola, da lógica em boa parte das áreas, e, apesar do custo das taxas de juros, os limites foram mantidos. Isso permite uma base mais sólida para a formulação de planos futuros. É sempre importante, esse é um olhar muito estratégico para o Sistema OCB, mas também para a cadeia agropecuária como um todo, que se tenha uma política agrícola perene ao longo dos anos.

O Sistema Organização das Cooperativas do Estado do Paraná (Ocepar) avaliou que o montante total anunciado pelo governo federal para o Plano Safra 2025/2026, somando agricultura familiar e empresarial, superou o valor solicitado pelas cooperativas do Paraná, mas demonstrou preocupação com a elevação das taxas de juros e com a redução nas linhas de investimento, especialmente aquelas voltadas ao setor cooperativista. O Plano Safra é um instrumento muito importante para trazer uma dinâmica de melhor produção para nossos produtores e nossas cooperativas. A Ocepar integrou um grupo de entidades paranaenses, incluindo Faep, Fetaep e a Secretaria da Agricultura do Estado, que encaminhou ao governo federal, ainda em fevereiro, um documento com sugestões para a construção do Plano Safra.

A proposta indicava necessidade de cerca de R$ 600 bilhões em recursos, sendo R$ 90 bilhões para a agricultura familiar e o restante para a empresarial. De acordo com os dados e as informações apresentadas pelo governo, ultrapassou o valor que foi solicitado pelas cooperativas, chegando a R$ 605 bilhões. Esse é um ponto positivo. A soma considera os R$ 89 bilhões anunciados ontem pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) para a agricultura familiar e os R$ 516,2 bilhões divulgados nesta terça-feira (1º/07) para a agricultura empresarial. Do total voltado à agricultura familiar, R$ 78,2 bilhões serão destinados ao Pronaf, com juros entre 0,5% e 8% ao ano, dependendo da linha, e programas como o Garantia-Safra, o Proagro Mais e compras públicas.

Apesar do volume atender à expectativa das cooperativas, o Sistema Ocepar apontou dois fatores de atenção: o aumento das taxas de juros e a redução de recursos para investimentos. As taxas de juros tiveram uma elevação, tanto para a agricultura familiar como também para a agricultura empresarial, na ordem de 1% até 2%. O movimento é reflexo da taxa Selic elevada, hoje em 15% ao ano, que encarece o custo de equalização e restringe a oferta de crédito em condições competitivas. Houve redução em algumas linhas estratégicas para cooperativas. Principalmente em algumas linhas que as cooperativas podem utilizar recursos, houve corte. Esse é um ponto de atenção. Segundo dados oficiais, os recursos para investimento na agricultura empresarial somam R$ 101,1 bilhões, o que representa queda de 5,4% em relação ao ano anterior.

Sobre o plano voltado à agricultura familiar, é positiva a ampliação do limite para aquisição de máquinas menores no Pronaf Mais Alimentos, que passou de R$ 50 mil para R$ 100 mil, com manutenção da taxa de juros em 2,5% ao ano. Uma análise detalhada de todas as linhas e condições será finalizada após a publicação das resoluções do Conselho Monetário Nacional (CMN). De modo geral, o Plano Safra, tendo em vista que a economia está bastante aquecida e que a Selic está elevada, atendeu às expectativas em termos de volume de recurso disponibilizado, conforme foi solicitado pelas cooperativas e pelo setor do agronegócio do Paraná. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.