02/Jul/2025
O estado do Pará pode receber até R$ 116 bilhões em investimentos até 2040 para avançar na transição para paisagens regenerativas. A estimativa é do relatório "Resiliência para o Futuro: Caminhos viáveis para paisagens regenerativas na Amazônia", elaborado pelo Boston Consulting Group (BCG) em parceria com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Pará (Semas-Pará), o Conselho Empresarial Mundial para o Desenvolvimento Sustentável (WBCSD) e o Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS). Segundo o estudo, a transição pode garantir uma rentabilidade média de 19% ao longo do tempo, conciliando aumento de produtividade com práticas sustentáveis.
O Pará tem hoje 8,8 milhões de hectares com potencial para ações regenerativas, incluindo 6,8 milhões de hectares de pastagens viáveis para reforma ou melhoria e 600 mil hectares com possibilidade de uso agroflorestal para o cultivo de cacau. Se for bem-sucedido, o esforço pode gerar aumento de até 1,7 vez na produtividade da pecuária e multiplicar por 5,6 a produção de cacau. O impacto direto pode beneficiar mais de 80 mil pequenos agricultores e 500 assentamentos, com potencial de sequestro de até 34 milhões de toneladas de CO2 equivalente. Apesar do potencial, o Estado enfrenta desafios estruturais. A conversão de terras aumentou 69% nos últimos cinco anos e 20% do território do Pará já foi desmatado. Além disso, gargalos como acesso a crédito, assistência técnica de qualidade, regularização fundiária e verificação de práticas sustentáveis dificultam a adoção de modelos regenerativos.
A ativação dos agricultores exige uma mudança de mentalidade e supera barreiras como a falta de assistência técnica de alta qualidade e o ceticismo sobre a viabilidade econômica, afirma o BCG. O crédito continua caro e de difícil acesso devido ao alto investimento inicial e retorno tardio. A ausência de métricas padronizadas para verificação de resultados e a insegurança fundiária agravam o cenário. Segundo o levantamento, 10,5 milhões de hectares de pastagens estão degradados no Pará. Desse total, 6,4 milhões de hectares têm alto potencial agrícola e podem ser convertidos em áreas regenerativas produtivas. Outros 4,1 milhões de hectares são aptos para restauração via pecuária regenerativa. Ainda assim, a pesquisa indica otimismo entre os produtores locais: 90% dos 156 agricultores entrevistados no Pará disseram acreditar no futuro de suas propriedades até 2030.
Com ações direcionadas, o Pará poderia emergir como uma referência global para paisagens regenerativas e sociobiodiversidade, afirmou o CEBDS. O enviado especial para Bioeconomia da COP30 e conselheiro do WBCSD e CEBDS, Marcelo Behar, ressalta o potencial da bioeconomia no Estado. O relatório estima que sistemas agroflorestais de cacau, por exemplo, podem gerar até R$ 33,4 mil por hectare em valor líquido. Essa transformação pode beneficiar mais de 80 mil agricultores familiares e comunidades locais, promovendo inclusão produtiva com base em ativos florestais e práticas sustentáveis - e assim contribuindo para a produção resiliente de uma commodity que vem sofrendo os impactos diretos das mudanças climáticas. O relatório também destaca que, embora a agropecuária ocupe grande parte da área antropizada, a agricultura em si ocupa apenas 1% do território do Pará, contra 18% usados para pastagens, muitas delas de baixa produtividade. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.