24/Jun/2025
Após se aproximar de R$ 5,55, o dólar perdeu força ao longo da sessão e encerrou esta segunda-feira (23/06), em queda de 0,39%, a R$ 5,50, passando a acumular desvalorização de 3,78% em junho. O Real se beneficiou da onda de enfraquecimento da moeda norte-americana no exterior, em meio à diminuição da percepção de risco nos mercados globais. Ataques do Irã a bases norte-americanas no Catar e no Iraque, nesta segunda-feira (23/06), provocaram certo desconforto em um primeiro momento. Logo em seguida, contudo, os ativos de risco se recuperaram diante da avaliação de que a ofensiva iraniana foi limitada, sinal de que o Irã não deseja um confronto maior com os Estados Unidos. Também houve redução dos temores de bloqueio do Estreito de Ormuz, por onde são escoados cerca de 20% da produção global de petróleo. Não por acaso, as cotações do petróleo caíram, com o contrato do tipo Brent para setembro, que chegou a superar US$ 81,00 por barril fechando em baixa de 6,67%, a US$ 70,52 por barril.
Termômetro do desempenho do dólar em relação a uma cesta de seis divisas fortes, o índice DXY, que tocou 99,421 pontos na máxima, rondava os 98,400 pontos no fim do dia. Segundo a EPS Investimentos, o dólar oscilou ao sabor das notícias em torno do conflito. A avaliação dos analistas de que os ataques do Irã foram contidos e mais voltados para dar uma resposta à população iraniana do que a causar grandes danos nas forças dos Estados Unidos trouxe a ideia de que não deve haver uma grande escalada. A aversão ao risco vista no início da sessão refletia os temores de um agravamento do conflito no Oriente Médio, após ataques dos Estados Unidos no fim de semana a três instalações nucleares no Irã. O Parlamento iraniano aprovou resolução para fechamento do Estreito de Ormuz, mas a decisão cabe ao Conselho Supremo de Segurança Nacional e ao aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do país. Após a retaliação iraniana aos Estados Unidos, Khamenei afirmou que o país não agrediu ninguém e que não aceitará "nenhum tipo de agressão, sob nenhuma circunstância".
Para a +Ideas Consultoria Econômica, os mercados iniciaram a semana reagindo com relativo "sangue frio" aos ataques dos Estados Unidos ao Irã e a seus possíveis impactos nas cotações do petróleo. O motivo para isso é o fato de que o fechamento do Estreito de Ormuz traria uma série de consequências indesejáveis para o próprio Irã. O país atrairia a hostilidade de vários países na região. Ainda mais relevante, a medida atingiria de forma drástica a economia da China. Sem picos de aversão ao risco no exterior, a perspectiva é que o Real possa até se apreciar mais nos próximos dias e romper o piso de R$ 5,50 no fechamento, diante da expectativa de aumento do diferencial de juros interno e externo, que estimula as operações de carry trade. No dia 18 de junho, o Comitê de Política Monetária (Copom) elevou a taxa Selic em 0,25%, para 15% ao ano, e sinalizou em seu comunicado a manutenção dos juros nos níveis atuais por "período bastante prolongado".
No exterior, os investidores mantêm a aposta de que o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) vai reduzir a taxa básica de juros em 50 pontos-base neste ano, embora o presidente do Fed, Jerome Powell, tenha alertado para o impacto inflacionário do tarifaço de Donald Trump. A vice-presidente de Supervisão do Fed, Michelle Bowman, sinalizou que apoiaria um corte de juros já na próxima reunião de política monetária do banco, em julho, se a inflação continuar dando sinais de arrefecimento. O presidente do Fed de Chicago, Austan Goolsbee, disse que o Fed pode cortar juros caso a "sujeira" das tarifas se dissipe. Para a EPS Investimentos, sem um evento que provoque um aumento mais sustentado da aversão ao risco, o Real pode continuar amparado pelo aumento do diferencial de juros interno e externo, que favorece a entrada de investidores estrangeiros na renda fixa local. Além disso, há no exterior um enfraquecimento do dólar, com a política bastante errática do governo Donald Trump. Se o cenário global não se mostrar mais adverso, a taxa de câmbio tende a se manter pelo menos nos níveis atuais. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.