12/Jun/2025
Estados Unidos e China concordaram em uma “estrutura” para estender a trégua comercial alcançada no mês passado. Após dois dias de negociações em Londres, as principais autoridades econômicas dos dois países devem agora apresentar a nova estrutura aos seus líderes, o presidente Donald Trump e o presidente Xi Jinping, para aprovação final. O acordo, cujos detalhes completos não foram divulgados, tem o objetivo de consolidar os termos ajustados entre as duas nações em Genebra, na Suíça, em 12 maio, que se desfez nas últimas semanas. O secretário de Comércio dos Estados Unidos, Howard Lutnick, que integrou a equipe de negociação, afirmou que as preocupações norte-americanas com as restrições chinesas à exportação de minerais de terras raras e ímãs foram resolvidas. O representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, que participou das discussões, afirmou que o foco também está em garantir o cumprimento do acordado em Genebra sobre exportações e tarifas de minerais de terras raras. A pausa de 90 dias, acordada em Genebra, está prevista para expirar em agosto.
Caberia a Donald Trump decidir se ela seria prorrogada à medida que as negociações adicionais prosseguissem. A agência de notícias oficial chinesa Xinhua emitiu um comunicado cauteloso, afirmando que as duas partes haviam concordado “em princípio” (termo usado pela mídia estatal e diplomatas para indicar que os detalhes ainda não foram acertados). Segundo a Xinhua, as discussões foram “profissionais, racionais, aprofundadas e francas”. A mídia estatal chinesa costuma usar o termo “franco” quando há divergências consideráveis. Os países fizeram o anúncio pouco antes de o governo norte-americano obter uma vitória inicial na disputa pela legalidade de suas tarifas. Um tribunal federal de apelações concordou na terça-feira (10/06) em permitir que Donald Trump mantenha muitas dessas tarifas, que um tribunal inferior declarou ilegais no final de maio. A suspensão preservará o ponto central da agenda comercial do presidente enquanto advogados federais lutam com Estados e empresas que alegam ter sido prejudicados pelas tarifas.
Hoje, os Estados Unidos cobram tarifas de 145% sobre produtos importados da China, que taxa mercadorias norte-americanas em 125%. As tarifas atuais foram subindo à medida que a guerra comercial, iniciada por Trump, se acirrava. A cobrança, porém, está suspensa e os países tentam uma saída para normalizar o comércio bilateral. Os Estados Unidos esperam que as questões sobre minerais e terras raras sejam resolvidas com China. O consenso de Genebra, na reunião realizada há um mês, pode abrir portas para novas conversas. Segundo o Instituto de Estudos Internacionais da Universidade Fudan, em Xangai, a dificuldade de um acordo reflete uma resistência chinesa para a qual os Estados Unidos não estavam preparados. Em fevereiro, a narrativa dominante nos Estados Unidos era: “Ah, a economia chinesa está ruim, então, se os Estados Unidos vão usar tarifas, a China não terá escolha a não ser se render”.
Agora, os Estados Unidos parecem estar reconhecendo que a China estava mais bem preparada para a guerra comercial. O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, afirmou nesta quarta-feira (11/06) que as negociações com a China para restaurar os laços comerciais "serão um processo muito mais longo". As reuniões em Londres tiveram um objetivo definido de iniciar o processo de conversas. Para o deVere Group, o acordo preliminar entre Estados Unidos e China fornece alívio aos mercados, mas não representa uma resolução definitiva do conflito comercial entre as duas maiores economias do mundo. As tarifas permanecem em níveis historicamente elevados e as restrições a exportações continuarão em vigor nos principais setores.
A realidade é que esta trégua comercial apenas leva de volta às condições já tensas que existiam antes do início de abril. A China seguirá sem acesso ao mercado automobilístico dos Estados Unidos, que também não venderá produtos avançados de tecnologia aos chineses. Nenhuma das partes está tratando a outra de forma tão diferente do que antes deste acordo. Nesse sentido, a recomendação é que os investidores não se enganem pelo alívio de curto prazo nos mercados. A rivalidade, a verdadeira disputa pelo controle do poder econômico do século XXI, continua inabalável. Este acordo é mais uma ferramenta de gestão de mercado do que uma solução duradoura. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.