09/Jun/2025
Mesmo com o avanço firme do dólar no exterior, a moeda norte-americana fechou a sexta-feira (06/06) em baixa no Brasil, na menor cotação em oito meses, em meio à expectativa pelo pacote de medidas fiscais do governo Lula, que pode substituir a alta do IOF. O dólar fechou em baixa de 0,30%, a R$ 5,57, o menor valor de fechamento desde 8 de outubro do ano passado, quando encerrou em R$ 5,53. Na semana passada, a divisa acumulou baixa de 2,63% e, no ano, recuo de 9,85%. O Departamento do Trabalho dos Estados Unidos informou que foram criadas 139.000 vagas no país no mês passado, após 147.000 em dado revisado para baixo em abril.
O resultado ficou acima dos 130.000 postos projetados por economistas. A taxa de desemprego nos Estados Unidos permaneceu em 4,2% pelo terceiro mês consecutivo. O resultado acima do esperado do relatório de empregos payroll deu força às apostas de que o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) não terá tanto espaço para cortar juros no curto prazo, o que fez os rendimentos dos Treasuries subirem e o dólar ganhar força ante a maioria das demais divisas. No Brasil, o dólar marcou a cotação máxima de R$ 5,61 (+0,57%), acompanhando o exterior, mas se descolou, migrando para o território negativo ante o Real.
Por trás do movimento estava a expectativa de que o governo Lula possa anunciar nos próximos dias medidas fiscais estruturais, em substituição ao aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre várias operações, adotado recentemente. Segundo a Correparti Corretora, o dólar chegou a subir um pouco no Brasil após o payroll, que veio forte, mas depois recuou. Entre a valorização do dólar no exterior e o bom humor com o IOF, a cotação caiu. O governo federal deve encampar um projeto de lei complementar que prevê um corte de 10% em benefícios tributários, como principal medida para substituir IOF. A proposta permitiria um aumento de arrecadação de R$ 40 bilhões este ano e mais R$ 40 bilhões no ano que vem, o que ultrapassaria a necessidade de recursos para 2025.
Em tese, o corte de benefícios fiscais, se confirmado, tende a ser mais bem recebido pelo mercado que a iniciativa anterior do governo, de elevar o IOF. Em meio à expectativa pelo pacote, o dólar atingiu a cotação mínima de R$ 5,56 (-0,48%), já na reta final dos negócios. O recuo esteve em sintonia com a baixa das taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros), que também se descolaram da influência dos Treasuries. O recuo seguia contrastando com o exterior, onde o dólar sustentava ganhos. O índice do dólar, que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas, subia 0,52%, a 99,189. O Banco Central vendeu toda a oferta de 35.000 contratos de swap cambial tradicional para fins de rolagem do vencimento de 1º de julho de 2025. Fonte: Reuters. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.