03/Jun/2025
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) prevê crescimento de 8% do Produto Interno Bruto (PIB) da Agropecuária neste ano, ante queda de 3,2% em 2024. A estimativa da entidade é preliminar e deve ser revisada após os resultados trimestrais divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na sexta-feira (30/05). Anteriormente, a CNA previa uma alta de 5,1% para o desempenho do setor. O resultado recorde do PIB agro no 1º trimestre deste ano puxou a projeção da entidade. A expectativa é de que o PIB agro deste ano seja puxado pela supersafra de grãos, mas impulsionado também pelos bons resultados esperados pela pecuária. O resultado do PIB agro do primeiro trimestre deste ano, uma alta de 10,2% na comparação anual dos trimestres, superou a expectativa da CNA. O desempenho deve-se principalmente à maior safra de soja, de milho e de arroz, que foram muito boas em produtividade.
Além do desempenho positivo das culturas agrícolas, o aumento no volume de abates puxou o resultado da pecuária no primeiro trimestre e, consequentemente, contribuiu no crescimento consolidado do setor. O clima ajudou muito no bom desenvolvimento da safra, embora regionalmente culturas foram prejudicadas por adversidades climáticas, como ocorreu no Rio Grande do Sul, no sul de Mato Grosso do Sul e no oeste do Paraná. No segundo trimestre deste ano, que sazonalmente tem resultados mais fracos que o primeiro trimestre, há expectativa de contribuição positiva da maior safra de algodão para o desempenho do setor, enquanto a menor produção de café deve pesar sobre o resultado. Além disso, as suspensões das exportações de frango pelo caso de gripe aviária no Rio Grande do Sul podem gerar algum impacto no resultado do trimestre, mas, por enquanto, não deve prejudicar o desempenho do setor no consolidado do ano. Os pontos de atenção para o comportamento do PIB da agropecuária neste ano são: a lei antidesmatamento da União Europeia (EUDR) e eventual acordo de compras entre Estados Unidos e China.
Um acordo de compras entre Estados Unidos e China pode afetar o agronegócio brasileiro por uma eventual dificuldade de escoamento, sobretudo na pecuária, e necessidade de redução de abates, reflexos que podem ser vistos no terceiro e quarto trimestre deste ano. Para o PIB nacional, a CNA prevê alta de 2%. O menor ritmo de crescimento da economia em geral tende a ser justificado pelo avanço mais modesto das outras atividades econômicas. O PIB da indústria, por exemplo, vai crescer menos que o do País, enquanto os setores de comércio e serviços mantêm o mesmo patamar. A depender do “fator Trump”, a queda da indústria pode ser ainda maior caso haja redirecionamento de parte de produtos chineses ao mercado local. Com crescimento do agro superior aos demais setores, a participação da agropecuária no PIB Brasil deve saltar de 5,6% em 2024 para entre 7,5% e 8% neste ano. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.