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28/Feb/2025

Percepção de riscos para o Brasil avançou em 2024

Segundo estudo do Centro Adam Smith para Liberdade Econômica, um think tank sediado na Universidade Internacional da Flórida, em Miami, a percepção de riscos para o Brasil aumentou no ano passado. A conclusão faz parte da primeira edição anual do relatório Índice e Análises de Riscos de Países da América Latina, que entrevistou ao longo de 2024 especialistas de diversas áreas em seis países: Brasil, Argentina, Chile, Colômbia, México e El Salvador. A pesquisa permite acompanhar a evolução do clima político, econômico e social nessas regiões. O objetivo é aferir as tendências que podem afetar as decisões de investimentos de empresas e organizações não governamentais em cada país. Na média das três coletas quadrimestrais de dados do ano, o Brasil registrou a melhor nota entre os países analisados, mas também foi o que apresentou a maior piora das notas entre o primeiro e o terceiro quadrimestre. A nota média de riscos do Brasil no ano ficou em 3,13 pontos: saiu de 3,07, em abril, para 3,32 em dezembro. Quanto maior a nota, maior a percepção de riscos. Colômbia e El Salvador também registraram aumento da percepção de riscos.

A Argentina foi o país que teve a melhora mais significativa, com a nota indo de 3,49 para 3,06 pontos. Cada país contou com uma instituição parceira para realizar a coleta de dados. No Brasil, foi escolhido o Instituto Millenium. Foram ouvidos no Brasil, a cada quatro meses, 30 representantes de cinco áreas: academia, jornalistas, mercado corporativo, organizações não governamentais e governo. Eles responderam a um formulário quantitativo e depois foram entrevistados para explicar e aprofundar a análise das suas respostas. A ideia foi manter as mesmas pessoas entrevistadas de um período para outro, e equilibrar perfis profissionais com abrangência de posições políticas e por gênero, para dar uma visão mais ampla. Dos oito subitens relacionados a risco político no Brasil, seis pioraram. Por exemplo, os entrevistados identificaram uma deterioração nas relações entre o Poder Executivo e o Legislativo. No começo do atual governo, havia a sensação de que se havia costurado um acordo com o Legislativo, mesmo que ele fosse de oposição. Esse acordo se deteriorou e há uma tendência de aumento de risco.

O dado positivo nesse campo foi a forte melhora com relação à possibilidade de uma ruptura política. A nota desse item caiu de 4,1, em abril, para 2, em dezembro. No começo do ano, ainda havia aquele ânimo muito exacerbado por conta dos eventos do 8 janeiro de 2023. Era algo um pouco mais recente. Mas o receio de acontecer um golpe de Estado acabou sendo diluído com o tempo. As mesmas tendências registradas quanto ao cenário político foram vistas com relação à economia. Em praticamente todos os indicadores, as notas em dezembro traziam maior sensação de riscos do que em abril. O clima para investimentos no começo do ano, estava no terreno neutro e foi para o positivo em agosto. Mas até dezembro piorou bastante. O risco fiscal apareceu repetidamente, nas entrevistas, como o principal fator de preocupação. O descontrole de gastos do governo é visto como gerador de diversos problemas, como a inflação alta para o futuro. Mas afeta também as perspectivas de crescimento da economia, de desvalorização da moeda e de turbulência econômica.

Pelo lado positivo, uma grande preocupação do começo de 2024, o risco de expropriação de ativos, diminuiu fortemente ao longo dos meses. Começou o ano como o item visto como o de pior nota e terminou como o de melhor. Os riscos sociais avaliados pelo estudo podem ser divididos em dois grupos: um envolvendo a possibilidade de disrupção social e outro de crime e corrupção. O primeiro grupo fechou o ano no terreno neutro. Houve até uma melhora na percepção de possibilidade de greves e protestos de grande impacto. Nesse ponto, o Brasil está num território que não é crítico. O País se mostra relativamente estável comparado aos outros, sem querer minimizar quaisquer problemas. Porém, durante todo o ano passado houve notas altas de riscos envolvendo crimes, com piora até dezembro. A percepção de criminalidade aumentou. A infiltração do crime organizado nas instituições foi muito apontada pelos entrevistados, e é tratada como um risco elevadíssimo. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.