ANÁLISES

AGRO


SOJA


MILHO


ARROZ


ALGODÃO


TRIGO


FEIJÃO


CANA


CAFÉ


CARNES


FLV


INSUMOS

27/Feb/2025

Dólar avança puxado por exterior e temores fiscais

Em uma sessão de modo geral negativa para os ativos brasileiros, o dólar fechou esta quarta-feira (26/02) novamente acima dos R$ 5,80, com as cotações sendo impulsionadas por fatores internos e externos. Além do avanço da moeda norte-americana no exterior, o dólar foi influenciado pela forte geração de vagas formais de emprego no Brasil em janeiro, por preocupações em torno da reforma ministerial no governo Lula e por receios dos agentes com o equilíbrio fiscal brasileiro, em meio à queda de popularidade do presidente. O dólar fechou em alta de 0,86%, a R$ 5,80. Em 2025, porém, a moeda norte-americana acumula queda de 6,10%.

No início da sessão, o dólar chegou a oscilar no território negativo ante o Real, mas rapidamente engatou ganhos em sintonia com o exterior, onde o dólar subia desde cedo ante as divisas fortes e passou a registrar ganhos também ante os pares do Real, como o peso do México e o peso do Chile (dois dos países possivelmente mais afetados por eventuais novas tarifas dos Estados Unidos sobre o cobre importado). O movimento se amplificou após a divulgação dos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), que revelou a geração de 137.303 vagas formais de trabalho em janeiro, bem acima da expectativa do mercado, de criação líquida de 48.000 vagas.

Na segunda-feira (24/02), o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, havia antecipado a geração de mais de 100 mil vagas em janeiro, o que esvaziou em parte o impacto direto da divulgação nesta quarta-feira (26/02). Ainda assim, o resultado foi bem superior aos 100 mil empregos formais citados como referência pelo ministro, demonstrando que o mercado de trabalho segue, de fato, aquecido, o que eleva as preocupações em torno do controle da inflação. Segundo a One Investimentos, teve dois fatores principais para a alta do dólar. Primeiro, a alta do DXY (índice do dólar) no exterior e, em segundo lugar, a geração de empregos no Caged.

Embora os dados de emprego possam sugerir uma taxa básica Selic mais elevada no futuro para segurar a inflação, o que em tese favorece a atração de dólares ao Brasil, o efeito no mercado de câmbio em um primeiro momento é negativo, com alta da moeda norte-americana, em função das preocupações em torno da capacidade do Brasil de controlar os preços. Investidores também se mantinham atentos às articulações políticas, com foco nas mudanças nos ministérios e em anúncios que podem impactar a área fiscal. A mudança nos ministérios é mais uma tentativa do presidente Lula de retomar apoio político em Brasília, em um contexto de queda de popularidade. No mercado, um dos receios é de que Lula, ao ser pressionado pela perda de apoio, abra os cofres e piore ainda mais a situação fiscal do governo.

Em meio às especulações sobre o futuro do governo Lula, o dólar seguiu forte até o fim da sessão, fechando perto do pico do dia. No exterior, a divisa também seguiu forte. O índice do dólar, que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas, subia 0,23%, a 106,480. O Banco Central vendeu 15.000 contratos de swap cambial tradicional para fins de rolagem do vencimento de 1º de abril de 2025. O Banco Central informou que o Brasil registrou fluxo cambial total negativo de US$ 666 milhões em fevereiro até o dia 21, com saídas líquidas de US$ 2,482 bilhões pela via financeira e entradas de US$ 1,816 bilhão pela via comercial. Fonte: Reuters. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.