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26/Feb/2025

BNDES: crédito para indústria supera Agronegócio

Segundo o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), pela primeira vez em um ano, o crédito à indústria superou o direcionado ao agronegócio. Isso é reflexo do processo de industrialização no País que o governo quer promover. Se trata de uma opção estratégica do BNDES em linha com as pretensões do governo federal. De fato, as aprovações para indústria somaram R$ 52,4 bilhões, alta de 132% em um ano. Para o agronegócio, essas aprovações totalizaram R$ 52,3 bilhões, 92% acima do registrado em 2023. No ano passado, as aprovações totais do BNDES subiram 22% ante 2023, para R$ 212,6 bilhões. O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, afirmou que o banco planeja chegar ao fim de 2026 com uma aprovação de crédito em patamar de 2% do PIB e desembolsos na faixa de 1,5% do PIB. Hoje, as aprovações estão em 1,8% do PIB e o desembolso em 1,1% do PIB. Essa é a meta, mas os desembolsos são mais lentos, porque o banco está crescendo muito em crédito de longo prazo, em infraestrutura, como por exemplo projetos de energia, rodovias, além de construção naval.

A atuação do BNDES não tem forte impacto no mercado de crédito do País nem maiores consequências no cenário monetário. O BNDES representou 1,4% do fluxo de crédito da economia em 2024. O tamanho do BNDES voltou ao patamar de antes de 2008 na proporção de desembolsos com relação ao PIB (2,39%) e não tem nada a ver com a proporção maior verificada entre 2009 e 2014, quando chegou a superar os 4%. Qualquer comparação do BNDES de hoje para o de 2014 não faz sentido. Aloizio Mercadante afirmou que aumentos na taxa básica de juros, a Selic, trazem impacto forte no crédito, o que inclui o BNDES. Mas, segundo ele, há "mediações" que suavizam esse cenário. Quando tem aumento forte da Selic, há um impacto forte no nível da atividade e no crédito. Mas há mediações para isso. A Selic cresceu e o Brasil teve um crescimento forte. A tendência de desaceleração é provável, mas não se sabe qual será o ritmo, quais setores serão mais impactados, tudo isso está em aberto. A indústria brasileira cresceu o dobro da média mundial em 2024.

O BNDES continua cumprindo sua função, que é olhar para a Nova Indústria Brasil (NIB), descarbonização, agricultura de baixo carbono, indústria naval, entre outros. Mercadante acrescentou, ainda, que é preciso observar o longo prazo, até porque, disse, decisões de investimento focadas em um futuro mais distante podem ser preservadas apesar da taxa de juros. Como exemplo, citou projetos de infraestrutura. Nesse sentido, o BNDES projeta crescimento no setor rodoviário e indústria naval, que podem aumentar sua participação no crédito concedido pelo banco de fomento. As linhas em dólar devem crescer por conta das taxas baixas praticadas pelo banco. Há setores que não dependem muito da Selic atual, inclusive com debêntures faseadas. A Selic está alta agora, mas esses setores podem se beneficiar da redução no futuro. Aloizio Mercadante afirmou que diante do retrocesso ambiental instalado nos Estados Unidos após a eleição de Donald Trump, o Brasil terá que reforçar o seu compromisso com a sustentabilidade do planeta. E o Brasil terá que resistir a esse negacionismo do clima.

O BNDES está se empenhando na realização da COP30, prevista para novembro em Belém do Pará, assim como tem levado a sustentabilidade em conta no seu dia a dia para a liberação de financiamentos. Na área do agronegócio, será dada prioridade para todos os projetos de descarbonização. Os biocombustíveis são a resposta mais rápida para a descarbonização, e que o Brasil sai na frente nesse segmento. O Brasil tem que preservar as florestas, e é isso que o BNDES faz e vai fazer com mais força ainda, principalmente na COP30 que será só um grande momento de construção de políticas para proteger a vida no planeta e as futuras gerações, concluiu. Sobre a exploração da Petrobras na Margem Equatorial em busca de petróleo, em plena era de descarbonização, Mercadante defendeu a pesquisa pela estatal. A fase é de pesquisa; e a pesquisa é sempre bem-vinda para conhecer se tem ou não recursos abundantes de petróleo. E é muito provável que tenha recursos, porque a Guiana quadruplicou o PIB. A Petrobras tem todas as condições de explorar a região, como já fez no pré-sal, sem nenhum acidente importante, principalmente na fase de pesquisa. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.