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25/Feb/2025

Brics: GT de Agricultura discute os desafios do setor

O Grupo de Trabalho (GT) de Agricultura dos Brics, realizou sua primeira reunião para iniciar as atividades de discussão sobre assuntos pertinentes à agropecuária nos países do bloco, na quinta-feira (20/02) e na sexta-feira (21/02), em Brasília (DF). Durante o encontro, foi lido o documento preparatório que será apresentado e servirá para a declaração conjunta na reunião dos ministros da Agricultura do bloco em abril deste ano. Os representantes iniciaram as discussões e ações para o enfrentamento de desafios como mudanças climáticas, degradação do solo, práticas agrícolas sustentáveis, incremento do comércio, desigualdade econômica e volatilidade dos preços dos alimentos, informou o Ministério da Agricultura e Pecuária.

Após as reuniões, o secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Pesca e Aquicultura, Luís Rua, destacou a relevância internacional do Brasil neste ano: “A gente entende que é um ano muito importante, porque nós vamos ter, além da Cúpula dos Brics, a questão da COP30, a presidência do Mercosul, a reunião com Ministros da Agricultura da África e a Junta Interamericana. Uma representatividade muito grande”. Além disso, teremos reuniões bilaterais. Um momento muito único, em que podemos discutir temas de caráter sanitário, fitossanitário, e colocar algumas questões que eventualmente levam anos para avançar. Com a possibilidade da vinda dos ministros e dos seus representantes para cá, a gente possivelmente destravará alguns temas bastante relevantes para a pauta exportadora do Brasil, mas também dos outros países que querem exportar seus produtos para o nosso país”, comentou Luís Rua.

O bloco representa 30% das terras agrícolas mundiais, sendo responsável por grande parte das exportações de produtos como carnes, arroz, soja, trigo e milho. Em 2024, o Brasil exportou US$ 165 bilhões em produtos agropecuários, sendo 41% para os países membros do Brics. O secretário Rua anunciou os principais tópicos para o GT de Agricultura, sendo eles: segurança alimentar e nutricional; produção agrícola sustentável; comércio agrícola e infraestrutura; acordos e entregas planejadas, entre outros. A certificação eletrônica também é tema de discussão do GT. Essa iniciativa visa agilizar e facilitar a rastreabilidade e a segurança no processo de certificação dos produtos.

Na avaliação do assessor-chefe da Assessoria Especial da Presidência da República, Celso Amorim, o Brics tem o papel de representar os países emergentes, mas é preciso colocar um limite para que não perca sua coesão. O grupo foi criado com quatro membros (Brasil, Rússia, Índia e China), agregou em seguida a África do Sul e recentemente foi ampliado, contando agora com 11 integrantes, além de 9 países parceiros, um total de 20 nações. Quase todos os países em desenvolvimento vão querer ser membros do Brics. Isso revela a importância que o grupo tem. O Brics tem que ter uma abertura e os países em desenvolvimento têm que se sentir representados. Mas, operacionalmente, não pode se expandir indefinidamente porque, para atuar concretamente em questões importantes, tem que manter uma certa coesão.

Para o diplomata, nem ao Ocidente e nem ao Oriente, o grupo é a união principalmente de economias situadas no Hemisfério Sul do globo. Amorim enalteceu o acordo do Mercosul fechado com o bloco da Europa no fim do ano passado, mas enfatizou que o Brasil tem a ambição de diversificar parceiros, o que vale também para o Brics. Um dos pontos mais relevantes do condomínio de emergentes é a força que o grupo pode ter em outros fóruns se permanecer unido e coeso. O Brasil quer lançar um candidato único do bloco para postos de relevância em instituições financeiras internacionais. O Brics pode dar FORÇA ao grupo das 20 maiores economias do globo (G20). Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.