19/Feb/2025
Segundo o Itaú BBA, a inflação de alimentos deve permanecer elevada em 8% em 2025, mesmo com a expectativa de safra recorde. A pressão sobre os preços persiste por causa da combinação de fragilidade fiscal, câmbio pressionado e economia aquecida. A expectativa é de um volume de crescimento da produção agregada do agro de 5%. Apesar disso, a inflação de alimentos está na casa de 8%, de novo, neste ano. A inflação de serviços também continua alta, acima de 6%, em comparação com uma meta de 3%. O cenário fiscal é um dos principais fatores que mantêm a pressão inflacionária. O Brasil tem uma dinâmica de dívida que é insustentável. Para estabilizar a dívida pública, seria necessário um superávit primário de 2,5% do PIB, mas o País fechou 2024 com déficit entre 0,5% e 1% do PIB, mesmo descontando receitas extraordinárias e abatimentos, como o do Rio Grande do Sul.
O mercado de trabalho aquecido adiciona pressão ao quadro inflacionário. Tem uma clara falta de mão de obra e os salários sobem. Esse cenário, combinado com a fragilidade fiscal, tem levado o Banco Central a manter postura restritiva, com expectativa de elevação da Selic dos atuais 13,25% para 14,25% em março, atingindo 15,75% em junho. O Itaú BBA alertou que o setor enfrentará desafios significativos este ano. As margens tenderão a ficar bastante comprimidas na grande maioria das commodities. Muitos produtores trabalharão principalmente para cobrir custos financeiros mais elevados. No câmbio, a instabilidade tem pressionado ainda mais os preços. No início do ano passado, o câmbio estava a R$ 5,00; agora flutua mais na casa dos R$ 6,00.
A volatilidade cambial reflete tanto o cenário externo, com o dólar forte globalmente, quanto questões domésticas, especialmente após a mudança das metas fiscais em abril de 2024. O pacote fiscal de R$ 35 bilhões apresentado pelo ministro Fernando Haddad no fim de 2024 pretende evitar o rompimento da regra do arcabouço fiscal, que limita o crescimento do gasto público a 2,5% ao ano acima da inflação. O mercado não recebeu bem porque esses R$ 35 bilhões são questionáveis em termos das estimativas. A discussão sobre isenção do Imposto de Renda, que acompanhou o pacote, pode ter efeito negativo na arrecadação. Apesar dos desafios, ainda há oportunidades no setor. Há espaço para fazer negócio, mas é o tipo do momento em que se destaca quem realmente faz bem “a lição de casa". Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.