ANÁLISES

AGRO


SOJA


MILHO


ARROZ


ALGODÃO


TRIGO


FEIJÃO


CANA


CAFÉ


CARNES


FLV


INSUMOS

05/Nov/2024

Recuperações Judiciais batem recorde e juro é vilão

A onda de insolvência nas empresas brasileiras, que emergiu no ano passado, segue ganhando volume, apesar de a economia continuar crescendo bem acima das expectativas, o desemprego estar nos menores níveis históricos e a renda das famílias em alta. Nesse contexto, os juros altos são apontados por especialistas como o principal vilão a minar a contabilidade das empresas, já que ficou mais caro financiar os negócios. Mas, há também outros fatores comprometendo a capacidade de pagamento das empresas, como a alta da inadimplência dos consumidores, o impacto das mudanças climáticas na produção de alimentos, a depreciação cambial, que pressiona custos, e a dificuldade de acompanhar as transformações tecnológicas.

Balanço da Serasa Experian, com dados até setembro, mostra que 1,7 mil empresas já haviam pedido recuperação judicial neste ano, 73% a mais do que no mesmo período de 2023, quando as crises na Americanas e na Light chamaram a atenção para a saúde financeira das companhias brasileiras. É o maior número de pedidos, entre iguais períodos, da série estatística de 19 anos, sendo comparável apenas a 2016. Em meio à recessão econômica provocada por desequilíbrios fiscais, escândalos revelados pela operação Lava Jato e uma crise política que levou ao impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, nos nove primeiros meses daquele ano 1,5 mil empresas entraram com pedidos de recuperação judicial, último recurso para evitar a falência. Com 6,9 milhões de empresas no vermelho e R$ 149,1 bilhões em débitos inadimplentes registrados na Serasa, não há perspectiva de arrefecimento nos pedidos de recuperação judicial no curto prazo.

O risco é de essa situação freie o crédito, cuja aceleração tem sido um dos motores do crescimento do consumo e da reação dos investimentos. Uma crise de crédito, o chamado credit crunch, não está no cenário provável de especialistas, mas é possível que, dada a elevação do risco, os bancos passem a cobrar taxas mais altas e se tornem mais seletivos nas concessões a empresas. Segundo a Siegen, juros altos, acima de dois dígitos por muito tempo, é como levar socos no fígado durante oito rounds, numa comparação com uma luta de box. O fígado da empresa é o capital de giro, é o custo de carregamento financeiro da dívida. Chega uma hora em que os juros ficam tão altos que toda a geração de caixa acaba sendo consumida pela despesa financeira, e a empresa “vai a nocaute”. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.