24/May/2024
O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante, afirmou que o setor industrial brasileiro precisa reagir ao protecionismo praticado atualmente por outros países, inclusive os mais desenvolvidos. O que se vê é um protecionismo crescente, inclusive dos países mais industrializados. Mercadante participou de evento em comemoração ao Dia da Indústria, na sede da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan). À plateia, o executivo do banco de fomento frisou ser preciso falar de defesa comercial. "Precisamos saber usar com responsabilidade os poucos recursos fiscais que temos para alavancar os setores com competividade que temos na economia", defendeu. Quando o governo brasileiro decidiu taxar os carros elétricos importados "foi uma gritaria". No entanto, os Estados Unidos já anunciaram uma taxação de 100% para os veículos chineses importados àquele país.
No caso do Brasil, a decisão pela taxação foi sucedida por num anúncio da indústria chinesa de fazer investimentos para produzir carros elétricos em território brasileiro. O Brasil perdeu indústrias para outras economias devido à ideia de que, com o Estado mínimo e sem proteção às importações, o Brasil receberia investimentos externos e desenvolveria seu parque industrial. Perdeu-se indústrias com a ideia de que basta tirar proteção, de Estado mínimo, que o capital externo vai vir e desenvolver. Não vai. O executivo citou ainda como janelas de oportunidades para o Brasil os investimentos na produção de fármacos e de biocombustíveis. O Brasil tem como liderar esse processo, afirmou Mercadante, referindo-se à transição obrigatória do combustível de aviação para fontes renováveis. "Temos como ser vanguarda nesse processo de transformação."
O presidente do banco de fomento defendeu também a entrada do Brasil no desenvolvimento e produção de combustível renovável para a navegação. Um mercado gigantesco. Quanto à indústria farmacêutica, Mercadante lembrou uma linha recém-aberta pelo BNDES com crédito de R$ 500 milhões para financiar o fornecimento ao Sistema Único de Saúde (SUS) de equipamentos e materiais de saúde produzidos no País. O BNDES está chamando uma reunião com o Ministério da Saúde para ver o que pode ser feito com a Fiocruz. O setor de fármacos tem muita tradição e muita capacidade de avançar. O executivo antecipou ainda que o BNDES lançará uma linha de fomento para o setor de audiovisual e cinema, mas disse que o anúncio oficial seria feito pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, portanto não poderia fornecer mais detalhes. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.