21/May/2024
As enchentes no Rio Grande do Sul podem se tornar o evento climático de maior perda para a indústria de seguros no Brasil, ultrapassando a seca de 2022, que também afetou ao Estado. Executivos de mercado afirmam que o volume de indenizações pode chegar a R$ 10 bilhões ou mais, embora ainda seja difícil dar uma dimensão exata do impacto. A maior perda causada por um evento climático no Brasil é a da seca provocada pelo fenômeno La Niña em 2022, e que levou a um volume de indenizações próximo a R$ 9 bilhões, segundo estima o mercado. As perdas foram concentradas no seguro agrícola, em que o volume total de sinistros no País saltou dos R$ 6,5 bilhões de 2021 para R$ 10,4 bilhões, de acordo com a Superintendência de Seguros Privados (Susep). O Rio Grande do Sul é o quarto maior mercado do setor no País, com cerca de 7% da arrecadação nos quatro primeiros meses do ano, atrás apenas de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.
A importância, porém, varia de acordo com o ramo de negócio: no seguro rural, é o terceiro maior mercado, com 11,3% do total arrecadado de janeiro a abril deste ano. Segundo a empresa de gestão de riscos Gallagher, se a perda for de 10% a 15% da perda econômica estimada, trata-se de uma perda entre R$ 9 bilhões e R$ 15 bilhões para o mercado segurador. Há previsões de mercado de que as perdas para o Estado superem a casa dos R$ 90 bilhões. As seguradoras não têm dado estimativas sobre os impactos do evento sobre os balanços de cada uma. Executivos do setor afirmam que a orientação é centralizar as informações na Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), dado que as enchentes ainda não arrefeceram. Mesmo entendendo a demanda da sociedade e da imprensa por informação mais detalhada, a divulgação de valores de indenização neste momento seria prematura, uma vez que, somente agora os cidadãos atingidos estão contatando as seguradoras para relatar os sinistros.
Desta vez, o impacto deve ser sobre várias linhas. As imagens da capital Porto Alegre alagada mostram um potencial de acionamentos maiores em linhas como o seguro automotivo, o residencial e o de vida. Entre empresas, em especial as de grande porte, especialistas mencionam os seguros empresarial e patrimonial, além do de lucros cessantes. Boa parte dos ramos de seguro vai ser impactada pela tragédia. A perda vai ser grande, mas o que vai determinar se vai ser maior é o tempo. Não tem um ponto final para começar a apurar os prejuízos, afirma a Austral Seguradora. Para as maiores seguradoras, a expectativa é de um amortecimento do impacto. É importante ressaltar que as seguradoras com a maior exposição ao Rio Grande do Sul têm resseguros robustos que cobrem catástrofes climáticas. De acordo com a Susep, eventos como o rompimento da barragem da Vale em Brumadinho (MG) em 2019 e o afundamento de bairros de Maceió (AL) em consequência do colapso de minas da Braskem também causaram acionamentos múltiplos.
No entanto, são eventos causados diretamente pela ação humana. O evento traz de volta à discussão um tema antigo: a baixa cobertura de seguros no Brasil. Segundo o IRB Re, em geral, o nível de proteção no Brasil em produtos de seguro que cobrem impactos de desastres climáticos é muito baixo. As estimativas de mercado apontam que a lacuna entre os seguros e o potencial de proteção no Brasil era de R$ 421 bilhões em 2020. Ainda mais preocupante é o fato de a lacuna de proteção no Brasil estar crescendo em um ritmo (cerca de 20% ao ano) maior que o crescimento do mercado segurador (cerca de 12% ao ano). Um relatório do Swiss Re Institute divulgado no começo deste ano aponta que menos de um terço das perdas por catástrofes naturais na América Latina e no Caribe em 2023 tinha a proteção de seguros.
Foram US$ 15,9 bilhões (R$ 81,6 bilhões) em perdas totais, dos quais apenas US$ 5,1 bilhões (R$ 26,2 bilhões) tinham seguro. O Grupo HDI afirma que a situação no Rio Grande do Sul é pouco comparável a outros eventos. Até o dia 15 de maio, a companhia, uma das líderes de mercado no Estado, contabilizava 1.500 sinistros atendidos. A linha mais afetada pela calamidade até o momento é o seguro de automóveis. A experiência mostra que linhas como o residencial tendem a ser mais acionadas nas próximas semanas. A Susep acredita que o evento será absorvido. O mercado brasileiro costuma ser bastante resiliente, as secas de 2022 foram enfrentadas pelo mercado de forma resiliente. A supervisão prudencial que a Susep faz é bastante cuidadosa, e há solidez do mercado. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.