17/May/2024
O presidente da China, Xi Jinping, deu as boas-vindas ao presidente da Rússia, Vladimir Putin, em uma cerimônia oficial nesta quinta-feira (16/05), em Pequim. A visita de Putin ocorre em um momento em que a Rússia se tornou mais dependente economicamente da China, após a invasão da Ucrânia, há mais de dois anos. A visita tem o objetivo de aprofundar a "relação sem limites" entre os dois países. O objetivo é consolidar os esforços conjuntos para enfrentar a ordem global liderada pelos Estados Unidos. A viagem ocorre pouco mais de uma semana após a visita de Xi à Europa, a primeira em cinco anos, na qual o líder chinês recusou-se a usar sua influência para pressionar a Rússia a encerrar a guerra contra a Ucrânia. Além de fornecer apoio diplomático, a China tornou-se uma linha vital para a economia russa, à medida que a Rússia lida com sanções Ocidentais.
Xi e Putin compartilham a visão de uma ordem mundial multipolar, na qual países liderados pela China e Rússia podem operar por um conjunto de regras diferentes das estabelecidas pelos Estados Unidos e por outras democracias liberais. Segundo o International Institute for Strategic Studies, centro de estudos com sede em Londres, Rússia e China vão concentrar suas narrativas nas falhas do Ocidente e, em particular, dos Estados Unidos, mesmo que não sejam nomeados diretamente. Logo após a visita de Xi à Europa, a viagem de Putin sinaliza que o governo chinês não mudou sua visão sobre seu relacionamento bilateral com a Rússia, apesar dos apelos dos europeus para que a China interrompa seu apoio à economia de guerra e à indústria de defesa russa.
Putin fica na China até esta sexta-feira (17/05), e visitará Pequim e Harbin, perto da fronteira russa. O encontro entre Xi e Putin será o primeiro desde a viagem do líder chinês ao Kremlin, em março do ano passado, quando os dois juraram aprofundar a cooperação política e econômica. Os dois também se encontraram em outubro, quando o presidente russo viajou a Pequim para celebrar os 10 anos da Iniciativa Cinturão e Rota, conhecida como “a nova Rota da Seda”, o principal projeto estrangeiro e econômico de Xi. A importância da China para a Rússia cresceu exponencialmente desde a invasão russa à Ucrânia, em 2022. A China tem atuado como compradora de energia russa, fonte de componentes que podem ser usados na produção militar e parceira diplomática, fornecendo apoio tácito para uma guerra que matou centenas de milhares de civis e soldados.
Putin e Xi compartilham uma causa comum em seu objetivo de reconfigurar o poder global e acabar com a dominação dos Estados Unidos nos assuntos mundiais. Embora a China tenha divulgado um plano de paz vago e pedido o fim da guerra na Ucrânia, não expressou críticas fortes à invasão não provocada da Rússia e à apreensão de território, ambas claras violações da Carta da ONU. Segundo o Instituto de Estudos Internacionais da Universidade Fudan, em Xangai, à medida que a Rússia lança novas ofensivas militares na Ucrânia, ela busca estabilizar as relações do país com a China, incluindo comércio e energia. Para Putin, enfrentando pressão dos Estados Unidos e países Ocidentais, ele deve garantir essa parceria estratégica com a China.
Segundo o Carnegie Russia Eurasia, a Rússia agora avalia todos os seus laços externos com base na guerra e no benefício de qualquer relação dada sua posição cada vez mais hostil em relação ao Ocidente. Putin agora avalia cada relação por três vias: se essa relação pode ajudar no campo de batalha; se pode ajudar a sustentar a economia russa; e se pode ajudar a Rússia a se contrapor ao Ocidente e punir os Estados Unidos e seus aliados por apoiarem a Ucrânia. A China preenche todos os três requisitos para a Rússia. O comércio da China com a Rússia atingiu um recorde de US$ 240 bilhões em 2023, um aumento de 63% em relação a 2021, antes da invasão, alcançando a meta planejada para 2024.
Nesse tempo, as exportações de eletrônicos chineses, necessários para a produção de sistemas de armas guiadas com precisão, tiveram aumento significativo, mostram dados da alfândega chinesa. Mas, os fluxos comerciais aumentaram em ambas as direções. A Rússia se tornou, no ano passado, o maior fornecedor de petróleo da China, que aproveitou seus preços com desconto. As sanções Ocidentais significam que a Rússia tem relativamente poucos grandes clientes restantes. Xi, por sua vez, quer Putin como um aliado no confronto contra o domínio hegemônico dos Estados Unidos e do Ocidente. Xi disse que China e Rússia precisam cooperar para superar os desafios à sua segurança, incluindo atos prejudiciais de hegemonia, dominação e intimidação. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.