15/May/2024
A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) calcula em estimativa preliminar que as perdas na safra de grãos 2023/2024 no Rio Grande do Sul devem alcançar aproximadamente 1 milhão de toneladas em virtude das enchentes que atingem o Estado desde 29 de abril. Se não houvesse a catástrofe no Rio Grande do Sul, a safra 2023/2024 do País seria 1 milhão de toneladas maior, estimada hoje em 295,45 milhões de toneladas. O 8º levantamento da Conab considera possíveis perdas do Estado que ainda estão sendo mensuradas. As perdas no Rio Grande do Sul serão melhor apuradas quando houver condições de levantamento a campo. Na temporada passada, o Estado havia sido prejudicado por falta de chuva. Neste momento, há impacto maior das enchentes para a safra de soja que arroz do Estado, já que 35% das lavouras de soja ainda não haviam sido colhidas ante 17% das lavouras de arroz no campo no momento das enchentes. A colheita de soja estava mais atrasada e com volume maior de área a ser colhida.
Há impacto maior das enchentes na soja que no arroz, apesar da concentração do Estado no abastecimento nacional de arroz. Da área não colhida, há parte em áreas que não foram alagadas e afetadas pelas enchentes. É uma estimativa conservadora. No próximo levantamento, em junho, será possível trazer dados mais acurados relativos ao impacto das perdas nas lavouras do Rio Grande do Sul. Na soja, a Conab prevê perdas de 700 mil toneladas na produção do Rio Grande do Sul na safra atual. Sem as perdas do Rio Grande do Sul, a safra de soja do Brasil seria de 148,44 milhões de toneladas. Agora, a safra foi estimada em 147,685 milhões de toneladas, considerando que 65% da safra do Estado havia sido colhida até o início das enchentes. No arroz, a Conab estima perdas de 230 mil toneladas na produção, considerando o cereal que ainda não foi colhido. Sem perdas do Rio Grande do Sul, a safra de arroz do Brasil seria de 10,7 milhões de toneladas, estimada agora em 10,5 milhões de toneladas.
Poderá haver ajustes na produção estimada da Região Centro-Oeste de áreas novas com produção mais expressiva. Destaca-se que 99% do arroz do País já deveria ter sido colhido, índice que é hoje de 84%. O levantamento divulgado nesta terça-feira (14/05) pela estatal foi um dos mais desafiadores em virtude da tragédia climática no Rio Grande do Sul. É um Estado muito importante na produção nacional. A equipe da Conab teve muita dificuldade de deslocamento e de comunicação com órgãos parceiros para coletar números. Há presença bastante expressiva de armazéns nos municípios do Rio Grande do Sul afetados pelas enchentes. Parte desses armazéns foi afetada por inundações que vão prejudicar o produto colhido. Essas perdas ainda estão sendo levantadas. É mais provável haver maior volume estocado de soja que de arroz. Na área central do Estado, uma das mais atingidas pelas enchentes, a capacidade estática para armazenagem é de 1 milhão de toneladas de grãos.
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a melhora na previsão da safra agrícola brasileira apurada na passagem de março para abril ainda não computou eventuais prejuízos provocados pelas enchentes no Rio Grande do Sul. Ainda é preciso aguardar como se dará a transmissão de informações ao longo do mês de maio para mensurar o impacto da calamidade pública tanto no resultado do Estado quanto no total nacional. A safra agrícola de 2024 deve totalizar 299,6 milhões de toneladas, 15,8 milhões de toneladas a menos que o desempenho de 2023, um recuo de 5,0%, de acordo com o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA) de abril, divulgado nesta terça-feira (14/05) pelo IBGE. O resultado é 1,2 milhão de toneladas maior que o previsto no levantamento de março, uma alta de 0,4%. Com relação à calamidade pública no Rio Grande do Sul e os resultados do LSPA para o mês de maio.
O IBGE ressalta que será necessário esperar a evolução dos acontecimentos e verificar como a transmissão de informações para o Instituto vai se comportar ao longo do mês para estimar os possíveis impactos em termos de geração de resultados e da publicação de indicadores relativos ao Rio Grande do Sul, e a participação deste em indicadores nacionais. O Rio Grande do Sul é o terceiro maior produtor de grãos do País. Mato Grosso lidera como o maior produtor nacional, com participação de 28,0%, seguido pelo Paraná (13,4%), Rio Grande do Sul (13,3%), Goiás (10,6%), Mato Grosso do Sul (8,3%) e Minas Gerais (5,6%), que, somados, representaram 79,2% do total da pesquisa do IBGE. A próxima divulgação do LSPA, com dados referentes a maio, está prevista para o dia 13 de junho. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.