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15/May/2024

Os impactos das enchentes no RS no PIB do Brasil

As inundações que assolam o estado do Rio Grande do Sul podem tirar até 0,4% da taxa de crescimento da economia brasileira neste ano, apontam avaliações preliminares de consultorias econômicas e bancos. O último Relatório Focus do Banco Central divulgado na segunda-feira (13/05) aponta que a mediana das projeções de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para 2024 está em 2,09%, mas não inclui os estragos da catástrofe no Rio Grande do Sul. O Rio Grande do Sul tem papel importante na economia nacional: respondeu por 6,5% no PIB brasileiro em 2021, segundo dados do Sistema de Contas Regionais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O Estado só é superado por São Paulo, que detém 30,2% do PIB, seguido pelo Rio de Janeiro (10,5%) e Minas Gerais (9,5%). Em meados de abril, antes do início das chuvas torrenciais no Estado, a Tendências Consultoria Integrada, por exemplo, projetava crescimento de 2,9% do PIB estadual para este ano.

O resultado seria puxado pelo desempenho positivo da agropecuária, com destaque para a produção de soja, milho e arroz, após dois anos consecutivos de quebras de safras, e pela recuperação da produção industrial, sobretudo de veículos automotores, metalurgia e alimentos. No entanto, esse panorama foi completamente alterado pela catástrofe iniciada no fim do último mês. Destaque para os impactos negativos diretos das cheias na agropecuária e na indústria, setores muito importantes para economia local e do País. Mas, os economistas da Tendências ainda não se arriscam em projetar o tamanho do estrago no PIB pelo fato de a tragédia ainda estar em curso. A MB Associados calcula que o impacto da tragédia no Rio Grande do Sul no PIB brasileiro poderá ser de 0,4% neste ano. É difícil estimar perdas no calor dos acontecimentos, com novo ciclo de chuvas chegando à região. Para fazer essa projeção, foram considerados os estragos provocados pelo furacão Katrina, em agosto de 2005, no Estado da Luisiana (EUA), que foi o mais afetado.

O PIB do Estado norte-americano que vinha crescendo até agosto daquele ano 4,5%, fechou o ano com queda de 1,5% em 2005, uma diferença de 5,5%. O PIB do Rio Grande do Sul crescia até abril 3,5%. Aplicando a métrica do estado da Luisiana no Rio Grande do Sul, o PIB gaúcho poderá encerrar este ano com recuo de 2%, retirando 0,4% do crescimento do PIB do Brasil. A consultoria projeta crescimento de 2% para o PIB nacional em 2024, mas enxergava a possibilidade de revisão para cima, o que a tragédia do Rio Grande do Sul afastou. O Departamento Econômico do Bradesco espera um recuo de 0,2% a 0,3% no PIB deste ano por causa das cheias no Rio Grande do Sul. Levando em conta que a Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul projetava crescimento do PIB gaúcho de 4,7% este ano e considerando as regiões atingidas, o peso relativo das atividades econômicas e as experiências do passado, como o ciclone de 2008 e a pandemia, os economistas do banco projetam que o PIB do Estado este ano não vá crescer ante 2023. De acordo com análise, o maior impacto na atividade econômica será sentido em maio. Em junho, grande parte das atividades estará normalizada, a depender dos danos físicos e do ritmo de reconstrução. A agropecuária será uma das atividades mais impactadas pelas cheias, na análise do Bradesco. O setor responde por 15% do PIB estadual, o que representa 12,6% do PIB agropecuário brasileiro.

Arroz, soja, trigo e carnes são os principais produtos produzidos. O Estado respondeu por 12% dos abates de suínos e 9,5% dos abates de frangos em 2023. O maior reflexo deve ser sentido na produção de suínos cujo ciclo é mais longo. Desdobramentos também devem ocorrer na indústria de transformação. A fatia da indústria de transformação é 18% do PIB estadual e passa de 8% da indústria brasileira, com destaque para calçados, móveis, produtos de metal e máquinas e equipamentos. Nas contas do Banco Santander, o impacto das enchentes no Rio Grande do Sul deve ser de 0,3% do crescimento do PIB nacional, estimado para este ano em 1,8%, antes da tragédia. O setor mais crítico deve ser a indústria. Apesar de o Rio Grande do Sul ter forte presença no agronegócio, os especialistas ponderam que a maior parte das safras de grãos já tinham sido colhidas. No caso dos serviços, os reflexos maiores deverão ser no curto prazo, mas seguidos de rápida recuperação. A indústria é foco de preocupação porque a destruição de capital fixo pode afetar a produção fabril do Estado e ter efeitos prolongados sobre a atividade. Como exemplo, pode-se citar os estragos nas atividades indústrias ocorridos em outras ocasiões, como, por exemplo, as enchentes em Santa Catarina em 2011 e a catástrofe de Brumadinho, em Minas Gerais, em 2019.

A gestora WHG também avalia que o desastre climático no Rio Grande do Sul deve ter impactos agudos para a economia do Estado e do Brasil. É uma mescla de pandemia rápida, mas com impactos agudos. Regiões do Estado, principalmente algumas com potencial turístico, estão com todas as atividades fechadas. O PIB dessas regiões vai colapsar, até normalizar. É uma soma de catástrofe natural com impactos parecidos com a pandemia. Ressalta-se os efeitos do desastre na produção agrícola da região e, embora boa parte da safra já tenha sido colhida, há um grande problema agora para escoamento. A capacidade industrial também pode ter sido impactada para sempre, com os alagamentos. Nesse cenário, se tenta traçar algumas hipóteses para medir o tamanho do impacto do desastre sobre a atividade do Brasil que deve ser de pelo menos 0,2% a 0,3% a menos para o PIB do País, em função de um Estado que é 6% do PIB brasileiro. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.