15/May/2024
Segundo o IRB Re, os efeitos do La Niña sobre o seguro rural em 2022 levaram a empresa a revisar as exposições e a estratégia de atuação no produto, o que garante uma carteira menos volátil. Após o ano catastrófico, marcado por eventos de larga escala, no jargão do mercado de seguros, a empresa reduziu a quantidade de cedentes (seguradoras) com quem fazia agro. O IRB passou a dar prioridade aos negócios com seguradoras que operam o seguro rural em todo o País. O objetivo é diluir as perdas com eventos climáticos em determinadas regiões através de outras que não estejam expostas a eles. Um exemplo dessa estratégia é a exposição do ressegurador ao Rio Grande do Sul, que vive a maior catástrofe climática de sua história com as enchentes causadas pelas chuvas das últimas semanas.
O Estado representa 13% da carteira de resseguro rural do IRB, porém, 75% da área cultivada protegida pelos contratos da empresa havia sido colhida antes de a água subir, ou seja, não deve ter perdas. Mas, os temores com as possíveis perdas do mercado de resseguros com as enchentes no Rio Grande do Sul se impuseram na divulgação dos resultados do IRB Re referentes ao primeiro trimestre deste ano. O ressegurador apresentou o maior lucro em dois anos, mas também reconheceu que o desastre climático no Rio Grande do Sul pode ter impacto de até R$ 160 milhões, em estimativa preliminar. O lucro do IRB subiu quase dez vezes em um ano, chegando a R$ 79,1 milhões no primeiro trimestre, graças à rentabilidade dos contratos.
O chamado resultado de subscrição cresceu algumas centenas de vezes no mesmo período, para R$ 105 milhões. Os números indicam que embora menor, a carteira do ressegurador é hoje mais saudável. Os resultados, porém, ficaram em segundo plano. Desde a semana passada, o mercado estima que o IRB pode ser uma das empresas listadas em Bolsa mais afetadas pelos prejuízos causados pelas enchentes no Rio Grande do Sul. Com as enchentes ainda em andamento, o número deve ser refinado, e não aparecerá de uma só vez. As resseguradoras são acionadas pelas seguradoras com quem têm negócios após o cliente final do seguro receber o pagamento da indenização, processo que demanda algum tempo e não acontece de maneira uniforme. Em 2022, os efeitos da seca na Região Sul apareceram antes para as seguradoras e depois para o IRB.
O baque do fenômeno climático La Niña veio em um momento em que o ressegurador ainda tentava equacionar o balanço após a revelação de uma fraude contábil em 2020, montada para mascarar os prejuízos de boa parte dos contratos. Naquele momento, o IRB teve de recorrer a uma oferta de ações de R$ 1,2 bilhão para voltar a cumprir os índices de capital exigidos pela Superintendência de Seguros Privados (Susep). Agora, a situação é mais favorável: ao longo do ano passado, uma limpeza da carteira reduziu o volume de prêmios emitidos, mas fez o IRB ter o primeiro lucro anual desde 2019, alimentando o capital. Após o La Niña, o IRB mudou a atuação no seguro rural, reduzindo a quantidade de seguradoras com que trabalha, e focando nas que estão em todo o território nacional, para diluir riscos.
Mesmo no caso do Rio Grande do Sul, o IRB deve sofrer impacto limitado: 13% dos prêmios no rural vêm do Estado, e 75% das áreas protegidas foram colhidas antes das enchentes. Desta vez, porém, o impacto deve chegar a uma quantidade maior de linhas de negócio. O IRB está exposto a diversas linhas de negócio que podem ser afetadas, incluindo patrimonial, rural e residencial, contanto que haja cobertura para alagamentos e enchentes nesses contratos. Enquanto monitora os efeitos das enchentes, a administração do ressegurador espera retomar o crescimento dos prêmios ainda neste ano. Nos próximos trimestres, o crescimento da arrecadação tende a convergir para a estabilidade, após uma queda de 9% no primeiro trimestre. No ano passado, a baixa foi de 17%.
O IRB deve manter a busca por rentabilidade, recusando contratos com condições que considerar desfavoráveis. A maioria das renovações dos negócios do IRB no Brasil aconteceu em janeiro, e a empresa conseguiu elevar de 5% a 10% as taxas diante de um mercado mais seletivo em todo o mundo. Em julho, a janela de renovações na América Latina deve ser utilizada para avançar em negócios novos, sob a mesma orientação: a rentabilidade vem antes do crescimento. Dentro da América Latina, a empresa pretende ser líder da mesma forma que no Brasil, mas sempre visando rentabilidade. Não está no espectro crescer sem rentabilidade. O Citi afirmou que os resultados do primeiro trimestre mostram o IRB no caminho positivo. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.