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15/May/2024

RS: impactos das enchentes no setor de seguros

O IRB Re afirma que ainda não é possível estimar os impactos das enchentes no Rio Grande do Sul sobre os resultados, dado que o evento climático ainda está acontecendo e, neste momento, a prioridade no Estado é a de resgatar a população afetada. No balanço do primeiro trimestre, o ressegurador afirmou que os impactos podem acontecer em diversas linhas em que atua, como o patrimonial, o rural e o residencial, desde que os contratos tenham coberturas para alagamentos e enchentes. O impacto pode ser limitado por operações de retrocessão, que restringem o tamanho das perdas. A retrocessão é o repasse de contratos pelos resseguradores a outros agentes de mercado, e em geral, acontece no mercado internacional. Pagar sinistros é a principal responsabilidade do mercado de seguros. O IRB está em contato com seus clientes e se compromete a fazer análises e pagamentos o mais rápido possível. O IRB não detalhou a distribuição regional dos negócios.

No primeiro trimestre deste ano, 49% dos prêmios emitidos pela empresa eram de resseguro patrimonial, um avanço de 7% em um ano. O Brasil respondeu por 74% dos prêmios, contra 64% no mesmo período de 2023. Por enquanto, o IRB Re estima um impacto entre R$ 80 milhões e R$ 160 milhões das enchentes no Rio Grande do Sul sobre seu balanço. É um número preliminar, e que deve se materializar ao longo do tempo, à medida que os avisos de sinistro forem enviados pelos clientes. O ressegurador afirma que este impacto é gerenciável, e que não deve desenquadrá-lo em termos de capital, por exemplo. Há uma faixa que não se sabe quando vai acontecer, mas a expectativa é de que o Rio Grande do Sul possa chegar a alguma coisa como R$ 80 milhões a R$ 160 milhões de impacto. Essa estimativa considera o cenário atual no Estado, que atravessa a maior catástrofe climática de sua história, causada pelas chuvas das últimas semanas.

O número é preliminar exatamente porque muitos sinistros ainda não chegaram às seguradoras, que são as clientes do IRB, e por isso as expectativas podem mudar. É difícil dizer qual a exposição total da empresa ao Rio Grande do Sul, porque na maioria das linhas de negócio, os contratos protegem carteiras de abrangência nacional. No rural, que responde por 13% do prêmio emitido pelo IRB, a exposição regional é mais fácil de medir. De toda a carteira de agro da empresa, 13% estão no Rio Grande do Sul. E desses 13%, 75% da colheita já tinha ocorrido quando começaram as enchentes. Então, a exposição no agro está bastante limitada. Os impactos não devem aparecer de uma vez só, mas ao longo do tempo, e tendem a vir antes nas seguradoras. Quando um cliente aciona um seguro, a seguradora faz a chamada regulação, ou seja, avalia se de fato o sinistro ocorreu e se é coberto pela apólice. Em caso afirmativo, paga a indenização, e só depois busca a resseguradora, que faz o mesmo processo.

O IRB e o setor de seguros reconhecem que as enchentes no Estado têm um caráter diferente de outros eventos climáticos que geraram perdas ao mercado, como o La Niña de 2022. Naquela ocasião, as perdas se concentraram no seguro rural. Agora, devem ser disseminadas, e os primeiros sinais indicam impactos consideráveis em produtos como o seguro automotivo, o habitacional e o empresarial. No caso do IRB, um dos temores do mercado é de que choques como este façam com que o ressegurador fique desenquadrado dos índices mínimos de capital exigidos pela Superintendência de Seguros Privados (Susep). O impacto do Rio Grande do Sul, embora considerável, é gerenciável, de acordo com as estimativas atuais. Esse valor, apesar de ser alto, não impacta a continuidade da companhia. O IRB encerrou o primeiro trimestre deste ano com patrimônio líquido 69% acima do mínimo exigido pela Susep. Um cenário bem distinto do visto em 2022, quando o baque do La Niña obrigou a empresa a buscar uma capitalização de R$ 1,2 bilhão. O ressegurador criou um gabinete no dia 4 de maio para monitorar os impactos das enchentes sobre as seguradoras com quem mantém negócios.

Desde então, tem falado com elas diariamente. A Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) alertou para o aumento das intempéries climáticas no Brasil em frequência e gravidade. Observa-se um aumento grande da frequência e gravidade das intempéries climáticas no Brasil tanto em chuvas como a falta de chuvas. A falta de chuvas também é um problema climático grave. E o Rio Grande do Sul é o ponto convergência de todos esses fenômenos. As seguradoras no Brasil colocaram equipes para atenderem segurados e não segurados no Rio Grande do Sul. A entidade cobrou que o País adote medidas preventivas e colocou o setor de seguros à disposição do debate. O desastre das chuvas no Rio Grande do Sul pode se tornar o evento climático de maior perda para a indústria de seguros no Brasil, ultrapassando a seca de 2022, que também afetou ao Estado. Executivos de mercado afirmam que o volume de indenizações pode chegar a R$ 10 bilhões ou mais, embora ainda seja difícil dar uma dimensão exata do impacto. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.