11/Apr/2024
A economia global pode ter um segundo semestre mais difícil do que o esperado. Cresceu a possibilidade de o corte de juros nos Estados Unidos começar apenas na segunda metade do ano, contrariando projeções do mercado financeiro. Entre a maioria dos investidores, o cenário principal ainda é de uma redução das taxas de juros, atualmente entre 5,25% e 5,5% ao ano, pelo Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) na reunião de junho. A probabilidade, porém, perdeu força nas últimas semanas. Hoje, a chance de corte no encontro de daqui a dois meses é de cerca de 60%. Em março, era de 70%. Confirmada a perspectiva do mercado até agora para o Fed, a reunião de junho pode ter o primeiro corte de 0,25% de um total de três quedas projetadas. Mas o que tem feito parte do mercado acreditar numa postergação do início das reduções tem relação com o fato de a economia dos Estados Unidos ainda mostrar força, com um crescimento econômico robusto e um mercado de trabalho aquecido, o que dificulta a missão do Fed de levar a inflação para a meta de 2%.
Segundo a G5 Partners, a inflação não está na meta. Se o Fed cortar os juros muito cedo, e a inflação começar a divergir da meta em vez de convergir, o banco central dos Estados Unidos vai ter mais trabalho para depois fazer a inflação convergir de novo. Uma eventual mudança na rota da política de juros nos Estados Unidos vai repercutir em todos os países. Taxas norte-americanas mais altas drenam recursos de economias emergentes e mais voláteis, como é o caso da brasileira, e representam um dólar robusto. Neste ano, até o dia 9 de abril, o dólar acumulava alta de 3,2%, em R$ 5,00. Para a Fundação Getúlio Vargas (FGV), a probabilidade de o juro não começar a cair no meio do ano é muito significativa. À medida que as condições financeiras ficam mais apertadas nos Estados Unidos, é inevitável que o Banco Central no Brasil também tenha uma cautela ainda maior na condução desse ciclo de baixa. Os agentes econômicos e o meio político podem se surpreender com a extensão desse ciclo de baixa. Tem uma chance boa de ser interrompido antes do que a pesquisa Focus, por exemplo, está indicando.
Divulgada semanalmente pelo Banco Central, a pesquisa Focus mostra que a projeção dos analistas consultados é de que a taxa básica de juros brasileira (Selic) encerre este ano em 9%, recuando para 8,5% em 2025. Um juro no nível de 9%, talvez, é muito pouco provável. A taxa atual do Brasil é de 10,75%. Uma eventual postergação da queda dos juros nos Estados Unidos para o segundo semestre marcaria mais um revés na expectativa do mercado financeiro. Na virada do ano, houve um grande otimismo entre os investidores, já que havia uma previsão de que o Fed faria até seis cortes de 0,25% neste ano. Hoje, porém, já há apostas de que serão duas ou três reduções. Com as perspectivas mais otimistas, mercados emergentes, como é o caso do brasileiro, foram inundados de recursos. Em novembro e dezembro do ano passado, por exemplo, a entrada de recursos foi de R$ 21 bilhões e R$ 17,5 bilhões, respectivamente. Neste ano, com o cenário já desenhado de um ciclo de juros mais contido, já houve um movimento contrário. Segundo a Way Investimentos, os juros nos Estados Unidos devem cair duas ou três vezes a partir do segundo semestre de 2024. O Fed começou a subir as taxas de juros em março de 2022, que chegaram ao intervalo atual de 5,25% a 5,50% ao ano em julho do ano passado.
É preciso muito cuidado ao celebrar a reversão dos choques inflacionários. Os choques vêm e não desaparecem sem deixar vestígios. Eles deixam marcas, afirma a FGV. Segundo a G5 Partners, até a reunião de junho, portanto, o Fed vai analisar cada número de atividade, mercado de trabalho e inflação. O Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) também faz um encontro em 30 de abril e em 1º de maio. É preciso ver os dados que vão sendo divulgados. Relatório do Departamento do Trabalho dos Estados Unidos divulgado na sexta-feira (05/04) trouxe mais um dado que reforçou o cenário de força do emprego no país, com a criação de 303 mil postos em março, em termos líquidos, acima do teto das expectativas de analistas, de 245 mil postos. No entanto, o Fed deve reforçar a análise das próximas leituras do núcleo do índice de preços de gastos com consumo (PCE), que exclui itens voláteis como alimentos e energia, a medida preferida de inflação da autoridade monetária. Os números de fevereiro (os últimos divulgados) mostram o núcleo do índice com uma alta anual de 2,78%. Serão divulgados mais três números do PCE até junho. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.