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05/Apr/2024

UE: queda da produtividade e a política monetária

A queda da produtividade total de fatores (PTF) na zona do euro em 2023 limitou a expansão dos investimentos na região, coibiu o aumento da oferta agregada e tornou mais resistente a inflação. Isso colaborou para a adoção de uma política monetária mais restritiva pelo Banco Central Europeu. A expectativa de cortes de juros a partir de junho pode tirar a economia da zona do euro da estagnação, especialmente com um aumento do consumo e da Formação Bruta de Capital Fixo, o que por sua vez poderá elevar a produtividade novamente neste ano, com efeitos positivos para a redução dos preços. Embora o trabalho mais importante para elevar a produtividade na zona do euro devesse ser feito pelos gastos públicos, sobretudo para estimular investimentos privados em áreas vitais para a expansão econômica, como infraestrutura, eles não ocorreram desta forma nos últimos anos. O foco foi retomar o consumo das famílias atingido pela pandemia.

Depois da profunda recessão provocada pela Covid-19, a região sofreu um choque de oferta causado pela invasão da Rússia na Ucrânia em fevereiro de 2022, o que gerou uma alta expressiva dos custos de energia e uma inflação de 10,6% em outubro daquele ano. Como o Banco Central Europeu (BCE) tem apenas o mandato de buscar a estabilidade de preços e demorou para combater a inflação em 2021, ele precisou adotar uma política monetária bastante firme para recuperar a sua credibilidade e levou os juros para 4,0% em setembro do ano passado. Essa postura conduziu a economia da zona do euro à estagnação, o que provocou a retração de 0,7% da produtividade em 2023, segundo cálculos do Instituto da Produtividade da University of Manchester. Segundo o banco ING, a baixa produtividade leva o BCE a ser mais conservador na condução da política monetária, o que afeta os investimentos e torna maiores os riscos de a inflação retornar por causa das restrições da oferta.

O Banco Central Europeu deveria baixar os juros logo porque conseguiu grandes avanços na desinflação e precisa dedicar maiores atenções ao crescimento, a fim de estimular o consumo, investimentos e elevar novamente a produtividade da região. O ING estima que ocorrerão três reduções de 0,25% dos juros em junho, setembro e dezembro e mais três cortes semelhantes no próximo ano, o que os levaria para 2,5%, marca que considera como a taxa neutra para a zona do euro. A queda da produtividade na região no ano passado está também relacionada com fatores estruturais, como questões demográficas, especialmente o envelhecimento da população. Outro elemento importante foi a redução da contribuição da indústria para o produto interno bruto e aumento da participação dos serviços, onde é mais difícil medir a produção por horas de trabalho dos profissionais.

O baixo crescimento do produto interno bruto foi também relevante, dado que a PTF é pró-cíclica, pois tende a cair em períodos mais fracos do nível de atividade e avançar em fases mais favoráveis da demanda agregada. Um outro fator que pode ter colaborado para que a Europa apresente uma produtividade baixa, menor do que a dos Estados Unidos, é que o país na América do Norte tem grandes empresas de tecnologia, inclusive em inteligência artificial, que disseminam suas atividades com maior rapidez pela economia. Por outro lado, a regulação digital na Europa (GDPR) pode ter reduzido a difusão digital nos últimos anos pelo continente. E agora com a IA, a Europa está aplicando legislação e regulação mais rigorosas do que os Estados Unidos, o que pode estar reduzindo a expansão desta tecnologia em toda a sua região.

Embora a zona do euro tenha problemas de expansão da produtividade no momento, a queda da inflação e dos juros pelo BCE poderá permitir o avanço do produto interno bruto da região. Isso levaria a PTF a uma expansão entre 0,5% e 1,0% em 2024, um patamar que pode ser mantido nos próximos cinco anos. O aumento da PTF na zona do euro neste ano ajudará no trabalho do Banco Central Europeu para conter a inflação, pois poderá compensar as pressões de alta de vencimentos de funcionários de empresas relacionadas ao mercado de trabalho apertado na região. Para o banco Intesa Sanpaolo, os salários ainda estão subindo mais que a inflação. Mas a produtividade vai se recuperar logo e a unidade do custo do trabalho terá uma expansão menor do que a dos salários nos próximos trimestres. Isso levará a uma recuperação do poder de compra das famílias com menores pressões de alta dos preços. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.