07/Mar/2024
A Stellantis, que produz os carros das marcas Fiat, Jeep, Peugeot e Citroën, anunciou nesta quarta-feira (06/03) o maior investimento já feito por uma montadora no Brasil. Até 2030, o grupo vai investir R$ 30 bilhões para lançar 40 produtos, entre novos modelos e renovação do portfólio atual, incluindo seus primeiros carros híbridos produzidos no País. A montadora não revela ainda quanto vai investir exatamente em cada fábrica, mas assegura que o plano é exclusivo do Brasil, onde a Stellantis produz em Betim (MG), Porto Real (RJ) e Goiana (PE). Na Argentina, onde a montadora tem duas fábricas que produzem atualmente o sedã Cronos, da Fiat, e o hatch 208, da Peugeot, estão previstos outros R$ 2 bilhões. Neste ano, a montadora encerra um ciclo, iniciado em 2018, de R$ 16,2 bilhões. O novo pacote, que começa no ano que vem, prevê quatro novas plataformas, isto é, bases de produção de diferentes modelos.
Essas novas plataformas permitirão a produção de automóveis tanto híbridos, que combinam um motor elétrico com outro a combustão interna, movido a etanol ou gasolina, como, no futuro, puramente elétricos, com baterias, a princípio, importadas. O lançamento do primeiro bio-hybrid, que une a eletrificação a um motor flex, está previsto já para o segundo semestre deste ano. Os investimentos vêm na esteira do programa federal de apoio à indústria automotiva, o Mover, que liberou R$ 19,3 bilhões, até 2028, para as montadoras lançarem carros mais seguros e menos poluentes. Também seguem a prorrogação, por mais sete anos, dos incentivos regionais à produção de veículos. Os estímulos, que acabariam em 2025, mas foram renovados na reforma tributária, beneficiam a fábrica do grupo em Pernambuco. O anúncio foi feito primeiro pelo CEO global da Stellantis, Carlos Tavares, ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em reunião às 9h no Palácio do Planalto. No encontro, Tavares elogiou o Mover, classificado por ele como um programa "extremamente inteligente".
Tavares considerou que a América Latina se tornou uma região estável, e destacou que o Brasil é hoje um país que faz esforços para estabilizar sua economia, algo fundamental para a definição de novos investimentos. Com o anúncio de hoje da Stellantis, o governo já conta mais de R$ 95 bilhões em investimentos de montadoras, incluindo planos já anunciados ou ampliados por fabricantes como Volkswagen, General Motors (GM) e Hyundai. Parte desses recursos vem, porém, de ciclos iniciados até três anos atrás. Se considerados apenas os investimentos a serem feitos de 2025 a 2030, há uma avaliação interna de que o plano anunciado equivale à soma de todos os recursos que serão desembolsados pela concorrência. A montadora salientou que não trava uma corrida de investimento com concorrentes. O que mais importa é que esses investimentos sejam eficientes, que o dinheiro seja bem utilizado.
A Stellantis tem como meta chegar a 2030 com os carros puramente elétricos representando 20% de suas vendas no Brasil. A eletrificação do portfólio está no foco dos R$ 30 bilhões anunciados em investimentos do grupo no Brasil até 2030. Porém, com o ritmo de adoção dos carros elétricos avançando mais lentamente nos mercados emergentes do que nas economias desenvolvidas, a escala de produção é limitada, comprometendo a capacidade da indústria de oferecer novas tecnologias a preços mais acessíveis. O CEO global da Stellantis, Carlos Tavares, afirmou que há uma fragmentação do mundo neste momento e uma tendência em que a regionalização está cada vez mais forte, o que não é necessariamente uma coisa boa. Os europeus querem veículos elétricos, os norte-americanos ainda estão hesitando, na América Latina há o flex fuel, obviamente que os africanos não poderão pagar pelos veículos elétricos. Portanto, são necessárias soluções específicas a cada região.
A saída para popularizar os carros elétricos seria, então, vender a tecnologia com prejuízo, o que comprometeria a saúde financeira das empresas, com consequente risco de demissões. Por outro lado, subsídios a novas tecnologias esbarram no maior endividamento dos governos após os gastos extraordinários na pandemia. Nesse sentido, o biocombustível brasileiro, combinado a um motor elétrico em carros híbridos, permitirá que a eletrificação aconteça de forma acessível à classe média, ao contrário de outros mercados. O motor flex, movido a etanol, representa uma solução que é tanto "amiga" do meio ambiente quanto acessível. Entre as tecnologias contempladas pelos novos investimentos da Stellantis, em várias etapas de descarbonização, a montadora planeja aprimorar propulsores movidos apenas pelo etanol. Em todo o mundo, o grupo investe 50 bilhões de euros na transição energética. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.