04/Mar/2024
Com duas guerras no mundo e os constantes ataques dos rebeldes Houthis a embarcações comerciais no Mar Vermelho, questões geopolíticas passaram a ocupar o topo da lista de riscos para a economia mundial, como ficou claro nas declarações de ministros de finanças que participaram da reunião do G20. A inflação, que antes liderava a lista, está em queda no mundo, mas ainda segue na lista de riscos. Bancos Centrais dos Estados Unidos e Europa começaram a sinalizar cortes de juros, mas com o alerta de que é preciso manter a vigilância para os índices de preços não voltarem a subir. A inflação está caindo e a expectativa é que continue a cair este ano em cerca de 80% dos países, afirmou a secretária do Tesouro dos Estados Unidos, Janet Yellen. A economia mundial tem mostrado resistência e o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2023 foi mais forte do que se esperava, a 3,1%. Yellen gastou parte importante do seu discurso para falar das três questões geopolíticas, incluindo o conflito de Israel com o Hamas.
Segundo Yellen, o governo dos Estados Unidos tem agido não só para tentar cortar o financiamento ao terrorismo, mas também para tentar combater os ataques no Mar Vermelho. A inflação acabou, nos Estados Unidos, Europa e em muitos países, e o principal risco para a economia mundial neste momento são as questões geopolíticas, afirmou o ministro das Finanças da França, Bruno Le Maire. Os governos foram bem-sucedidos em lidar com a inflação em menos de dois anos e é preciso enfrentar mais de perto agora as questões geopolíticas. O presidente do Banco Central do Brasil, Roberto Campos Neto, afirmou que houve passos na redução da inflação, mas esse processo ainda não terminou. Ainda há trabalho a ser feito e há riscos pela frente. O mundo passa por uma desinflação, mas os banqueiros centrais do G20 demonstraram de forma consensual a visão de que a luta contra a inflação ainda não foi vencida.
O momento em que o mundo vive, há riscos que envolvem as tensões geopolíticas, o que provavelmente têm desdobramentos sobre o lado financeiro e econômico. As questões geopolíticas, aliás, foram o alvo da discórdia entre os ministros para a elaboração de um comunicado conjunto da reunião. O Brasil preferia que o foco ficasse mais em questões econômicas, como desigualdade e taxação de fortunas, e que os temas geopolíticos ficassem com os ministros das relações exteriores. Em meio a falta de consenso, não houve um comunicado conjunto. O ministro das Finanças da Alemanha, Christian Lindner, foi um dos mais vocais em não só incluir as questões geopolíticas no comunicado final da reunião ministerial, mas também citar nominalmente os conflitos da Rússia na Ucrânia e de Israel na Faixa de Gaza. Já no começo do encontro o país europeu ameaçou que não assinaria o comunicado caso estes temas não fossem mencionados. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.