01/Mar/2024
O discurso para mostrar um País moderno e com propostas concretas aos convidados internacionais que participam das Reuniões do G20 Brasil, nesta semana, em São Paulo, é constante e coordenado. O total de 450 visitantes estrangeiros circularam por São Paulo entre os dias 26 e 29 de fevereiro, diretamente envolvidos nas reuniões do G20. Foi a eles que o ministro Fernando Haddad convidou a experimentarem o otimismo e visão de futuro dos modernistas brasileiros. Ele, que tinha já organizada uma extensa agenda de discussões, apresentações públicas e reuniões bilaterais com os pares estrangeiros, ficou praticamente fora do evento, atingido pela Covid-19. Suas participações foram encolhidas e realizadas virtualmente. O evento, que terminou nesta quinta-feira (29/02), tem o apoio financeiro do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), que é presidido pelo brasileiro Ilan Goldfajn. Ex-presidente do Banco Central do Brasil, Goldfajn desembarcou na instituição internacional em dezembro de 2022 e tem um mandato de cinco anos.
Ele é bastante respeitado pelo segmento, reconhecido no mundo todo e tem se mostrado um parceiro importante do Ministério da Fazenda na montagem desse discurso "patriota". E também na apresentação de São Paulo ao mundo do G20. Além de oferecer a estrutura física e os serviços prestados nos prédios icônicos de Niemeyer no Parque Ibirapuera, o BID está junto na estruturação do hedge cambial ecológico, que foi anunciado pelo Ministério da Fazenda na segunda-feira (26/02). O lançamento do instrumento não está diretamente relacionado aos trabalhos do G20, mas tem tudo a ver com os temas escolhidos pela presidência do Brasil. Em especial naquele que pede que se discutam formas de acesso dos países emergentes ao financiamento para crescimento verde e sustentável. Participaram da entrevista a ministra do Meio Ambiente Marina Silva; o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto; Goldfajn; e o secretário do Tesouro, Roberto Ceron, no lugar de Haddad. Além das discussões sobre financiamento, o Brasil propôs ao G20 reflexões sobre a desigualdade, a concentração de riqueza, a tributação internacional dos mais ricos e a reformulação de organismos internacionais.
Em todos esses pontos, como parte do discurso coordenado, os representantes do Brasil têm frisado que o País está apresentando propostas concretas. O Brasil está em posição de lançar uma agenda importante em escala global, para criar um mundo mais justo com uma economia mais sustentável, disse Haddad. Três eventos paralelos ajudaram a montar a imagem que a organização do G20 Brasil preparou para passar aos demais participantes do fórum. Em todos houve a presença do Ministério da Fazenda e diversas entidades civis. Esse envolvimento da sociedade no ambiente do G20 está sendo incentivado pela Trilha Financeira pela primeira vez, apesar de já ser comum na Trilha de Sherpas. Nos dias 26 e 27 de fevereiro, aconteceu o Fórum Brasileiro de Finanças Climáticas com a presença de cerca de 600 pessoas. Nos painéis estiveram os maiores especialistas do setor do Brasil, da Ásia e da Europa. E na abertura estavam previstas as falas de Haddad e Goldfajn. O ministro foi substituído por Rafael Dubeux, secretário-executivo adjunto do Ministério da Fazenda.
Na terça-feira (27/02), a Câmara de Comércio Americana foi anfitriã de cerca de 100 empresários e executivos de grandes empresas que foram à Sala São Paulo para ouvir Haddad e a secretária do Tesouro dos Estados Unidos, Janet Yellen, juntos, em um painel. Dessa vez, quem substituiu o ministro da Fazenda foi a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva. Na quarta-feira (28/02), foi novamente a vez de Ilan comandar um evento, do BID, no auditório do Ibirapuera. Ao lado da diretora-gerente do FMI, Kristalina Georgieva, o presidente do BID contou que a instituição tem se empenhado em operações de troca de dívidas de países pobres, uma das medidas que o governo brasileiro tem defendido no G20. Como exemplo, citou a participação em processo de conversão de dívida do Equador. O país vai investir metade da poupança conseguida com a conversão nas ilhas Galápagos. Ocupando mais uma vez o lugar de Haddad, no evento do BID, o secretário do Tesouro, Rogério Ceron, voltou a falar sobre o novo instrumento financeiro com o qual o governo quer viabilizar investimentos estrangeiros de longo prazo em projetos de economia verde.
Agora, só falta um consenso que viabilize um comunicado contemplando os pontos de discussão propostos pela presidência brasileira do G20. Chegar a ele não é uma obrigação das reuniões do G20, mas a coordenação da Trilha Financeira tem deixado claro que esse é um grande desejo da organização. A confirmar se a diplomacia econômica brasileira consegue driblar as diferenças de interesses de um grupo que junta Rússia, Estados Unidos, China, França, Alemanha. A tarefa não será fácil em época de tensões geopolíticas que não eram vistas há décadas. Algumas "ameaças" feitas durante o evento davam conta de que poderão ser justamente as guerras, principalmente a da Rússia x Ucrânia, a impedir o comunicado desejado pelo Brasil. Até porque, em uma de suas falas públicas, a secretária do Tesouro norte-americano, Janet Yellen, levantou a possibilidade de repassar à Ucrânia recursos russos que estão bloqueados no Ocidente. O Ministro Anton Silvanov, da Rússia, respondeu que seu país tem como responder a isso. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.