28/Feb/2024
Segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), a Amazônia enfrenta um recorde de focos de incêndio para o mês de fevereiro. Com 2.924 pontos de queimadas identificados pelas imagens de satélite até o dia 26 de fevereiro, a quantidade é a maior desde o início da série histórica, iniciada em 1999. No 2º semestre de 2023, algumas regiões da floresta, como no Amazonas, tiveram picos de incêndios. A própria gestão Luiz Inácio Lula da Silva disse que contratou mais brigadistas, mas admitiu que a estrutura de combate ao fogo era insuficiente. Especialistas já alertavam para os efeitos do El Niño na região, que tem a estiagem agravada pelo fenômeno climático. Embora tenha baixado pela metade o desmatamento em 2023, o insucesso na prevenção de incêndios tem pressionado o governo, que prometeu ter a proteção ambiental como uma de suas principais bandeiras.
Na comparação com todo o mês de fevereiro do ano passado (734 focos), a Amazônia registra alta de 298% de focos de incêndio em um ano. O número deste ano pode aumentar até o fechamento do mês, nesta quinta-feira (29/02). Os dados são atualizados todos os dias pelo Inpe. A pior situação é registrada no Estado de Roraima, onde a fumaça chegou a encobrir partes de Boa Vista e trechos da RR-206, rodovia estadual. Nesta semana, uma comitiva de ministros, entre eles Marina Silva (Meio Ambiente), Ricardo Lewandowski (Justiça) e Sonia Guajajara (Povos Indígenas), estará na capital do Estado para inaugurar um espaço de coordenação das ações na terra indígena Yanomami. Na semana passada, um balanço do governo federal mostrou que o número de mortes de indígenas na reserva, a maior do tipo do País, aumentou um ano após Lula decretar emergência de saúde na região.
Um dos principais problemas da região é o domínio de algumas áreas pelos garimpeiros ilegais. Na maior parte da Amazônia, a estação seca começa em julho, com ápice em agosto, e vai até outubro. Nessa época, a vegetação e a matéria orgânica no solo ficam propícias à queima. Isso, somado ao ar menos úmido, espalha as chamas com mais rapidez e dificulta o combate. Por ser uma floresta úmida, especialistas destacam que dificilmente a floresta pega fogo sozinha e a maioria das queimadas envolve ação humana criminosa. Em grande parte dos casos, os incêndios servem para abrir novas áreas de pastagem. A preservação do bioma, a floresta tropical com maior biodiversidade do planeta, é considerada fundamental para frear o agravamento das mudanças climáticas. A maior fonte de origem dos gases de efeito estufa lançados pelo Brasil na atmosfera é o desmate. Outros biomas:
- Pantanal: de 9 em fevereiro do ano passado, passou para 69 em fevereiro de 2024 (até o dia 26)
- Caatinga: de 185 em fevereiro de 2023, passou para 146 em fevereiro de 2024 (até o dia 26), baixa de aproximadamente 21%.
- Cerrado: de 759 em fevereiro de 2023, passou para 627 em fevereiro de 2024 (até o dia 26), redução de aproximadamente 17%.
- Pampa: de 77 em fevereiro de 2023, passou para 32 em fevereiro de 2024 (até o dia 26), uma baixa de aproximadamente 58%.
- Mata Atlântica: de 271 em fevereiro de 2023, passou para 320 em fevereiro de 2024 (até o dia 26), uma alta de aproximadamente 18%.
Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.